O presidente nacional da CPT (Comissão Pastoral da Terra), dom Tomás Balduíno, acusou ontem o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, de ser “conivente” com o fato de camponeses atuarem no Brasil em situação análoga à escravidão.
“Até que se prove o contrário, ele é conivente com o trabalho escravo, porque ele disse que isso que acontece aí, esses 3.000 [trabalhadores] que [em 2004] foram libertados, eles não são escravos”, disse o presidente da CPT, em evento de lançamento do caderno de conflitos no campo em 2004.
O ataque de dom Tomás baseia-se em declaração de Alencar no ano passado, durante congresso sobre agronegócio: “Não posso dizer que haja trabalho escravo. Há trabalho degradante. Escravo é quem não tem liberdade e tem dono. É preciso não haver condenação contra o setor agrícola moderno sem apuração”.
Ontem, a coordenação da pastoral também citou o apoio de Alencar nas últimas eleições a Antério Mânica, prefeito eleito de Unaí e acusado de ordenar, no início do ano passado, o assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho.
Informada sobre o teor da reportagem, a assessoria de Alencar não se manifestou sobre as declarações de dom Tomás Balduíno.
A CPT divulgou ontem seu balanço de conflitos no campo de 2004. Segundo a entidade, o número de invasões de terra avançou 26% de 2003 para 2004, passando de 391 para 496 casos. O total registrado no ano passado, no entanto, ficou abaixo dos registrados em 1998 (592) e 1999 (502).
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