Encarregada da organização do seminário “Direitos Humanos e Erradicação do Trabalho Infantil: o enfrentamento das disparidades de gênero e étnico-raciais”, a oficial de projetos e coordenadora da área de Direitos e Proteção do Fundo das Nações Unidas para a Ifância (Unicef), Alison Sutton, definiu o encontro como um momento de sensibilização e capacitação sobre as formas de discriminação de gênero e etnia que tem um resultado direto do fenômeno do trabalho infantil no Brasil.
“Então, vamos ter palestras e oficinas para ver a forma que a questão de gênero afeta o trabalho infantil”, afirmou. Ela cita como exemplo o trabalho infantil doméstico. “As meninas, na sua maioria, são negras ou indígenas, muito jovens, que vão trabalhar na casa de terceiros. Isso afeta o resto da vida delas com seqüelas, não só no seu acesso à educação, na possibilidade um emprego melhor, mas também sua auto-estima e todo o seus lado psicológico.”
Alison Sutton também avaliou o fenômeno existente no Brasil de que a maioria da população negra de crianças está envolvida com algum tipo de trabalho. Ela indaga como a população negra – que nos dados do IBGE chega a 45% – tem 63% das crianças envolvidas no trabalho infantil. “É uma superproporção dessas crianças no trabalho infantil”, afirmou a coordenadora, salientando que este e outros desafios serão objetos das oficinas, “onde se vai pensar que tipo de políticas podem ser feitas para responder a esta preponderância de discriminação que tem seu reflexo na composição do trabalho da criança do Brasil.”
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