Havana, Cuba – Cuba rejeitou uma ajuda de 50.000 dólares oferecida pelo governo dos EUA para atenuar os danos causados pelo furacão Charley há uma semana, classificando a oferta como “esmola humilhante e ofensa aos atingidos”. “Cuba não aceitará uma suposta ajuda procedente do governo do país que nos agride e tenta nos render através da fome e necessidades”, afirma uma declaração do Ministério das Relações Exteriores da ilha divulgada neste domingo (21) em Havana.
O furacão Charley passou, na madrugada do dia 13, pelas províncias da capital e deixou cinco mortos, mais de 40.000 casas danificadas, mais de 200.000 atingidos e prejuízos aos serviços de luz, água e telefone. Nesse dia, o escritório do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richar Boucher, lamentou os danos causados pelo furacão e ofereceu uma ajuda de 50.000 dólares ao povo cubano.
A declaração da chancelaria cubana classifica a oferta como “um novo insulto e uma ofensa às centenas de milhares de famílias cubanas que sofreram os danos deste fenômeno natural”. Acrescenta que “com total cinismo e hipocrisia”, o Departamento de Estado afirma que “o povo cubano pode contar com o apoio dos Estados Unidos nestes momentos difíceis”.
Além disso, considera “ridícula, irrelevante e humilhante esmola a oferta de 50.000 dólares. Essa oferta é totalmente inaceitável. Desconhece os danos causados durante mais de quatro décadas pela guerra econômica de sucessivos governos contra nosso país”, destaca a nota publicada na primeira página da edição dominical do jornal oficial Juventud Rebelde.
A declaração diz que o chefe da Seção de Interesses dos EUA em Havana, James Cason, informou aos cubanos que dispunha de um fundo de 50.000 dólares, similar ao de outras embaixadas norte-americanas no mundo para ajudar em casos de desastres naturais e outras emergências. Informa que o funcionário americano disse que desejava entregar essa ajuda “a diferentes organizações não governamentais (ONG) independentes cubanas para ajudar a enfrentar os danos do furacão”.
A chancelaria cubana afirma que “rejeitou totalmente essa nova afronta” e que o governo dos EUA “sofre de total amnésia”. “De outro modo, não se poderia entender como pretende assumir o papel de ‘benfeitor’ do povo cubano quando acaba de reforçar, mais uma vez, seu cruel embargo, ao colocar em vigor restrições que prejudicam, inclusive, as relações entre os cidadãos cubanos e seus familiares que vivem nos EUA”, acrescenta.
Em 30 de junho, o governo de Washington começou a aplicar um novo pacote de medidas restritivas a Cuba com o objetivo de endurecer o embargo econômico norte-americano decretado contra a ilha caribenha em 1960. As medidas, entre outros aspectos, limitam as viagens e as remessas a familiares na ilha, assim como os gastos durante as visitas dos cubanos que vivem nos EUA.
A declaração do Ministério das Relações Exteriores considera que a oferta norte-americana é uma “evidente manipulação política”. Além disso, entende que a referida intenção dos EUA de colocar esses recursos na mão de ‘organizações independentes’ do governo cubano “revela claramente os turvos propósitos de manobra, alheios a um verdadeiro interesse pelo bem-estar dos danificados”.
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