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Cuba restabelece relações com países da Europa

jan 6, 2005 | Geral

Chanceler cubano Felipe Pérez Roque anunciou a retomada das relações diplomáticas entre a ilha e a União Européia, congeladas desde a prisão de 75 dissidentes e o fuzilamento de 3 seqüestradores em meados de 2003.

Havana – Cuba restabeleceu “contato oficial” com um grupo de países da Europa com os quais não mantinha mais relações, por causa das sanções diplomáticas adotadas por esses governos europeus contra a ilha. A informação foi confirmada segunda-feira (3) pelo chanceler cubano Felipe Pérez Roque, numa declaração lida na sede de seu ministério diante da imprensa estrangeira.

Foram restabelecidas comunicações com França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Áustria, Grécia, Portugal e Suécia, que se juntam a Espanha, Hungria e Bélgica, países que já tinham normalizado os contatos.

A UE aplica sanções diplomáticas contra Cuba desde junho de 2003, quando ocorreram a prisão de 75 dissidentes e o fuzilamento de 3 seqüestradores de uma embarcação de passageiros. Desde então, Comitê do Conselho da União Européia para a América Latina (Colat) passou a recomendar que as representações européias na ilha convidassem dissidentes para festas e recepções.

A decisão foi classificada como afronta pelo governo cubano, que trata os dissidentes como “contra-revolucionários” e “mercenários pagos e dirigidos pelo governo dos Estados Unidos”. Em dezembro, porém, o Colat deu início a uma série de reuniões para analisar a concretização de uma nova política para Cuba.

Na ocasião, apesar de ter mantido apoio às conversações com os dissidentes, o Colat decidiu suspender a recomendação para que eles fossem sistematicamente convidados aos eventos da diplomacia estrangeira, e ainda sugeriu a suspensão de sanções diplomáticas.

Segundo o chefe da diplomacia cubana, a retomada das relações diplomáticas possibilitará novamente a promoção dos contatos culturais e visitas e trocas de alto nível entre as duas regiões.

A tensão diplomática entre a UE e Cuba começou a se acalmar quando, em outubro de 2004, a Espanha anunciou, através de seu embaixador em Havana, Carlos Alonso Zaldívar, sua vontade de liderar a normalização das relações diplomáticas. No mesmo momento, o governo cubano libertou, por razões de saúde, 14 dos 75 dissidentes presos, entre eles está o conhecido escritor e jornalista Raúl Rivero. A libertação foi interpretada como um “gesto” de Havana à Bruxelas.

Países que pertenceram ao bloco soviético e a Holanda decidiram que ainda manterão congeladas suas relações com Cuba. ”Não é com todos [a retomada das relações], é com um grupo. É quanto temos que informar”, se limitou a dizer Pérez Roque, ao ser consultado sobre as exclusões.

Entre os representantes da oposição ao de Fidel Castro, parte criticou a decisão européia, economista Marta Beatriz Roque, parte apoiou-a.a parte mantém as águas divididas em torno de uma mudança na política européia. “Uma mudança na política da UE seria muito positiva”, disse Eloy Gutiérrez Menoyo, presidente da organização não-reconhecida Cambio Cubano.

Mais América Latina

No Peru, o líder rebelde Antauro Humala foi capturado pela polícia quando negociava sua rendição e a de seus seguidores na sede da Municipalidade Provincial de Andahuaylas. No dia 1º, ele havia ocupado um quartel da polícia na cidade, e deixou o local para a negociar sua rendição, quando foi preso.

Humala se mostrou surpreso quando foi ordenada sua captura enquanto discutia, com seus interlocutores, os termos de sua rendição.

O presidente do Conselho de Ministros, Carlos Ferrero, informou que a prisão foi decidida do próprio presidente Alejandro Toledo, depois que teria sido comprovado que Humala tenteva ganhar tempo com a mudança de sucessivas demandas. “Não vamos permitir a impunidade quando ocorreu a morte de quatro policiais”, disse Ferrero ao justificar as ações do governo de prendê-lo enquanto negociava.

Para acabar com o que poderia ser início de uma crise com as Forças Armadas, o governo Toledo decretou Estado de Emergência e mobilizou cerca de mil militares para acabar com a ação dos rebeldes.

Agência Ansa

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