A Associação dos Deficientes Visuais e Amigos, com sede e São Paulo se manifestou sobre a decisão do TSE de estabelecer a não obrigatoriedade do voto para os portadores de necessidades especiais. Em declaração recente seu presidente pediu que a decisão se estenda a todos os brasileiros e afirmou que a decisão do TSE “assinala também um ato de exclusão do processo democrático de 24,5 milhões de pessoas, ou seja, 14,5% da população brasileira (Censo 2000), enfraquecendo sua
representatividade”. Veja a declaração da ADEVA sobre a decisão do TSE:
DIREITO DE VOTAR
A obrigatoriedade de voto, prevista na Constituição Federal, em seu §1º, do art. 14, em nada contribui para o aperfeiçoamento da democracia brasileira.Muito pelo contrário. O que se é compelido a fazer, de má vontade se faz. A cada ano, o processo eleitoral ganha em quantidade de eleitores, mas perde em qualidade. São inúmeros os cidadãos que escolhem um candidato de maneira irrefletida, inconseqüente, oportunista e clientelista.
Não só nos rincões deste Brasil. Aqui mesmo, na grande metrópole, tem gente que escolhe seu candidatoporque é o mais bonito, ou é o mais grotesco, ou é o vizinho da mãe da cunhada do irmão da namorada do tio, ou é o primeiro “santinho” que lhe caiu nas mãos a caminho da seção eleitoral.
Por isso, aproveitando a recente decisão (agosto de 2004) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que desobriga os portadores de deficiência física a comparecer às sessões eleitorais na próxima eleição, dia 3 de outubro, a Adeva (Associação de Deficientes Visuais e Amigos) vem a público solicitar que essa medida se estenda a todos os brasileiros que são legalmente obrigados a votar (alfabetizados maiores de 18 e menores de 70 anos).
Afinal, há 26 anos, o que queremos para nós, lutamos para dar a todos, deficientes ou não. Só assim poderemos entender essa medida, que não pedimos e sobre a qual não fomos ouvidos ou insultados, como não-discriminatória. Caso contrário, ela se caracteriza como mais um ato paternalista, que tutela cidadãos intelectual e emocionalmente aptos a exercer o DIREITO de
escolher quem irá lutar por seus interesses nas diversas instâncias do poder. E assinala também um
ato de exclusão do processo democrático de 24,5 milhões de pessoas, ou seja, 14,5% da população brasileira (Censo 2000), enfraquecendo sua representatividade. Se, como cidadãos eleitores somos freqüentemente ignorados pela classe política, seremos banidos de suas agendas se dispensados de votar.
Markiano Charan Filho
Presidente
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