Os dirigentes da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab) e da Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca), Pedro Christofoli e Francisco Dal Chiavon, foram ouvidos ontem pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra. Eles se recusaram a responder aos questionamentos dos integrantes da Comissão, com exceção das perguntas do relator, o deputado João Alfredo (PT-CE).
Ambas as entidades emitiram nota em que justificam a atitude de seus representantes, convocados para prestar esclarecimentos à CPI sobre as atividades das duas instituições e suas relações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). “Os depoentes da Anca adotaram como orientação política e jurídica, conforme prevê a Constituição Federal, não responder às perguntas feitas pela bancada ruralista, que antes da sessão, já haviam julgado, atacado e condenado a imagem da associação e de seus dirigentes”, diz a nota da Anca. A nota da Concrab traz a mesma justificativa para a recusa de Dal Chiavon em responder às perguntas de vários deputados e senadores.
Ambas as entidades afirmam que as dúvidas dos integrantes da comissão foram respondidas e esclarecidas. “Sendo assim, a Concrab se coloca à disposição da CPMI e da sociedade para colaborar para a retomada dos objetivos originais da Comissão, a fim de realizar uma verdadeira reforma agrária no Brasil”, registra a nota da entidade.
Os dirigentes permaneceram em silêncio quando perguntados sobre a origem dos recursos que sustentam a atividade das entidades e sobre o saque de cheques, por parte dos três depoentes da reunião de amanhã, em que as entidades eram beneficiárias, dentre outros questionamentos. A CPI da Terra apura se a Concrab e a Anca são representantes jurídicos e financeiros do MST.
A CPMI convocou para hoje nova audiência pública, em que serão ouvidos Emerson Rodrigues da Silva, Edmilson José de Pinho e Orlando Vieira de Araújo. Os três são office-boys e foram apontados em reuniões anteriores da comissão como intermediários na movimentação de recursos que não condiziriam com a função. Eles seriam beneficiários de cheques emitidos pelas duas entidades.
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