Rio – O jovem é neste início de década o principal afetado pelo desemprego, segundo o relatório do IBGE. Em 2001, a taxa média de desemprego no País atingiu 6,2%. Mas nas faixas etárias de 15 a 17 anos e de 18 a 24 anos, os índices eram bem superiores: 13,4% e 12,5%, respectivamente. Dificuldades para obter o primeiro emprego – objeto de um dos mais ambiciosos programas do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ainda em preparação – e falta de experiência profissional são apontados pelo IBGE como motivos para o fenômeno.
Assim que terminou o ensino médio, já decidida sobre a profissão que seguiria, a estudante Sarah Fernandes Silva Camargo, de 19 anos, ingressou em um curso técnico de auxiliar de enfermagem. Ao mesmo tempo preparou-se num cursinho para o vestibular. “Um bom auxiliar de enfermagem, com experiência, ganha R$ 1.800,00 em um grande hospital. Pensei que, com o diploma do curso, poderia arrumar um emprego e, assim, pagar a faculdade.”
Desde que conseguiu o certificado – no qual investiu em torno de R$ 3.500,00 e 1 ano e 4 meses -, em fevereiro, já encaminhou mais de cem currículos.
Resultado: foi chamada para teste num laboratório que pagaria o equivalente a R$ 400,00. Não conseguiu a vaga. “Alegaram precisar de alguém com mais tempo disponível e, como eu faço faculdade, não fui escolhida.” Faculdade pela qual paga R$ 620,00 de mensalidade e da qual terá de desistir se não conseguir o tão sonhado emprego logo. “Meus pais não têm mais como bancar a mensalidade.”
Fonte: O Estado de S. Paulo – Publicado em 13.06.2003 .
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