O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, não sabia do envolvimento do ex-assessor Waldomiro Diniz com o jogo do bicho carioca. A avaliação é do líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Se o ministro José Dirceu tivesse sequer uma dúvida a respeito do seu assessor, quem é que pode imaginar que ele não o demitiria? Evidentemente que o ministro José Dirceu não tinha as informações que surgiram agora, com a fita gravada pelo bicheiro. Portanto, não havia atitude mais digna do que dar o direito de defesa (a Waldomiro)”, disse. Chinaglia fez o pronunciamento após o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) ter mencionado uma reportagem da revista IstoÉ, publicada em 2003, sobre o envolvimento de políticos com o jogo do bicho. A reportagem “Rede da Fortuna” cita a participação de políticos tucanos com um esquema de contravenção no Ceará. São mencionados na matéria da IstoÉ o senador Tasso Jereissati (CE), o deputado estadual Leo Alcântara, filho de governador cearense Lúcio Alcântara, e Assis Machado, ex-secretário de Jereissati no governo do Ceará. Arlindo Chinaglia, porém, não fez acusação direta a nenhum dos políticos citados na matéria. O líder petista lembrou que a fita com o diálogo entre Waldomiro Diniz e o bicheiro carioca foi divulgada pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT). Chinaglia leu em plenário uma reportagem da revista Consultor Jurídico, que aponta a ligação do senador tucano com o jogo do bicho no Mato Grosso.
CPI – “Não temos nada a temer. Se quiserem fazer uma CPI para investigar financiamento de campanha, terão o apoio do PT, somos os primeiros a assinar. Se quiserem fazer uma CPI para investigar a corrupção no governo federal, em qualquer governo federal, somos os primeiros a assinar. O que não vamos permitir é que na falta de um argumento consistente, na falta de sequer um indício de que este governo federal tenha praticado algum ilícito, queiram propor uma CPI que não tem objeto”, disse Arlindo Chinaglia.
Ontem pela manhã, em entrevista à rádio CBN, o líder disse que “o poder maior que tem uma CPI, que é a chamada quebra de sigilo, o Ministério Público e a Polícia Federal, uma vez autorizados pelo Poder Judiciário, também têm”. O presidente Lula já determinou a abertura de inquérito policial federal para investigar o caso.
Comando – O líder disse ainda que o caso Waldomiro Diniz contou com um “comando político”. “Se tivessem cumprido com sua obrigação, se tivessem honrado os mandatos, se tivessem agidos como cidadãos, teriam denunciado o caso àquela época. Não o fazendo, permitiram que ele (Waldomiro Diniz) continuasse praticando, quem sabe, outros crimes”, afirmou.
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