A Polícia Militar prendeu em flagrante na madrugada de hoje (22) cinco homens acusados de atirar contra os sem-terra acampados dentro da fazenda São João, em Nova Alvorada do Sul (120 km de Campo Grande). Com o grupo foram apreendidos três revólveres calibre 38, três escopetas calibre 12 e munição.
Segundo a PM, as prisões ocorreram após o grupo ter atirado, na noite de anteontem, contra o acampamento onde vivem 140 famílias (cerca de 400 pessoas) ligadas à CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Conhecida por reunir sindicatos nos centros industriais do país, a CUT em Mato Grosso do Sul coordena 5.600 famílias de sem-terra.
“Se a polícia não tivesse agido rapidamente, teria sido um massacre”, afirmou o coordenador rural da CUT, Antônio Castilho. Segundo ele, um acampado conseguiu chegar a um telefone e ligar para a PM.
O delegado Natanael Matias, da Polícia Civil, afirmou que os presos disseram ser funcionários do arrendatário da fazenda, o empresário Nilson Riga Vitale.
O grupo, segundo Matias, assumiu ser o dono das armas, mas negou ter atirado no acampamento. Os cinco foram atuados por formação de quadrilha, porte ilegal de arma e ameaça. Eles foram levados ao presídio da cidade vizinha.
Matias afirmou que abriu inquérito para apurar o envolvimento de Vitale.
Em setembro de 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso baixou decreto declarando a fazenda, de 3.905 hectares, de interesse para a reforma agrária por ser improdutiva.
Em março deste ano, os sem-terra ligados à CUT invadiram a área, que já estava em processo de desapropriação pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
Vitale, que mantém 2.400 cabeças de gado na propriedade, entrou na Justiça para permanecer na posse das terras.
A reportagem telefonou hoje às 16h, às 17h e às 18h para a empresa Vitapelli Ltda., que pertence ao empresário em Presidente Prudente (SP), mas ele não ligou de volta.
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