A pena de morte acabou com mais vidas em 2004 do que em quase qualquer outro período nos últimos 25 anos, afirmou na terça-feira a Anistia Internacional. A China lidera o ranking e, ao lado do Irã, ainda executa jovens.
O número de sentenças de morte no ano passado também bateu um recorde de 10 anos, segundo a organização de defesa dos direitos humanos, chegando a ser impostas a ao menos 7.395 pessoas.
“É um aumento alarmante nas execuções e os números descobertos na China são realmente assustadores”, disse a diretora da Anistia Kate Allen.
O número de mortos pode ser bem mais alto, já que muitos países, incluindo a China, não divulgam dados oficiais, lembrou a Anistia.
“Essas execuções são uma pequena ponta do iceberg, muitos países continuam a executar as pessoas em segredo.”
Em Pequim, na terça-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês foi questionado sobre o relatório da Anistia durante uma entrevista coletiva e não fez comentários diretos, afirmando apenas que “a China é um país governado pela lei”.
Cinco países — Butão, Grécia, Samoa, Senegal e Turquia — aboliram a pena de morte no ano passado.
Pelo menos 3.797 pessoas foram executadas em 2004, afirmou o grupo.
Esse foi o segundo maior número que a organização registrou desde que começou a monitorar as execuções, 25 anos atrás. Em 1996, 4.272 pessoas foram executadas.
Só na China, 3.400 execuções foram conduzidas no ano passado, cerca de nove em 10 casos.
O Irã apareceu em segundo lugar, executando ao menos 159 pessoas, três delas jovens. Uma garota de 16 anos foi enforcada publicamente por “atos incompatíveis com a castidade”, disse a Anistia.
Os Estados Unidos executaram 59 pessoas em 2004, mas, no mês passado, aboliram a pena de morte juvenil.
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