Os líderes da base aliada, em conjunto com o ministro Aldo Rebelo (Coordenação Política), decidiram adiar para daqui a 15 dias a votação da medida provisória que reajusta o salário-mínimo para R$ 260. O motivo é que ainda há muitos deputados contrários ao valor proposto. A previsão era de que a matéria seria apreciada na semana que vem, como pretendia o governo.
Não há consenso nem na bancada do PT, tanto que até o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP), cobrou explicações do governo sobre o valor proposto na MP.
João Paulo disse que o governo precisa explicar as razões para propor um valor de R$ 260 e por que não há recursos para autorizar a negociação de um reajuste maior.
A declaração foi uma resposta a Rebelo, que peregrinou pela Câmara nesta terça para discutir a MP. Antes de encontrar-se com João Paulo, o ministro afirmou que o governo já explicou os motivos que o levaram a fixar o salário nos R$ 260 e deixou claro que não há espaço para negociação. “Se o governo pudesse dar um aumento maior já teria feito isso na medida provisória”, disse.
João Paulo rebateu: ”No Parlamento, nunca é uma palavra muito dura para ser usada. Muitas vezes encontramos resistências em algumas matérias que vão sendo vencidas ao longo do caminho”.
Apesar de a Executiva Nacional do PT ter fechado questão nesta segunda-feira favoravelmente ao valor definido, ainda há muita divergência dentre os deputados do partido. A coordenação da bancada reuniu-se nesta terça para preparar o encontro de todos os 90 deputados petistas marcado para quinta-feira (27), quando haverá, ou não, o fechamento de questão em torno da MP.
Grupo dos 30
Os deputados do chamado “grupo dos 30”, integrado por petistas posicionados mais à esquerda na legenda, também farão uma reunião na noite desta terça para debater a MP.
O líder do PT, Arlindo Chinaglia (SP) admitiu que há fortes divergências sobre o assunto, mas disse que a sigla votará unida no salário de R$ 260. “Há divergências na bancada, mas até o dia da votação vamos fazer vários debates. A nossa intenção é evidentemente fazer a unidade da bancada junto com a direção do PT”, declarou.
Já o líder do governo, deputado Professor Luizinho (PT-SP), afirmou que é preciso votar com tranqüilidade e por isso o governo entendeu que era preferível adiar a votação para não correr riscos. Ele disse estar confiante de que a base aprovará o salário fixado pelo governo e descartou mudanças no valor.
“Estamos trabalhando com a hipótese de votar daqui a duas semanas, quando já deverá haver acordo”, disse o petista.
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