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Fórum Social Mundial no Paquistão é adiado em decorrência de terremoto

nov 24, 2005 | Geral

O terremoto que arrasou o sul da Ásia, no mês passado, é o responsável pelo adiamento do Fórum Social Mundial no Paquistão. A próxima edição do evento deveria ocorrer de forma policêntrica na Venezuela (Caracas), Mali (Bamako) e Paquistão (Karachi), em janeiro do próximo ano.

Segundo o informe do secretário do Comitê Paquistanês, Irfan Mufti, o principal problema para a realização do evento – que já conta com a inscrição de 238 atividades até o momento -, além da dedicação dos esforços ao socorro às vítimas do terremoto e à reconstrução do país por grande parte das organizações participantes do FSM, é a captação de recursos. “Foi informado que o número de doadores (tanto indivíduos quanto organizações) que haviam se comprometido a financiar o evento antes do terremoto foi reduzido, uma vez que a maioria desses recursos foi agora destinada ao socorro às vítimas e aos trabalhos de reconstrução”, diz o relatório de Mufti.

Apesar de depender de uma avaliação final do Conselho Internacional do FSM e de seu Conselho Asiático, a realização do evento deve ser adiada, segundo as previsões dos organizadores, em pelo menos dois meses. Um Fórum Social Paquistão de dois dias deve ocorrer na cidade de Lahore em 23 e 24 de janeiro, para discutir essas questões.

Reconstrução

De acordo com a última reunião do comitê organizador de Karachi, a secretaria do FSM no país continuará ativa, mas, no próximo período, passará a “observar e monitorar a ajuda vinda para a reconstrução” em função de graves denúncias de desvios e falta de transparência na aplicação da ajuda humanitária. Também deve acompanhar de perto a ação dos militares e a perspectiva de fortalecimento de sua intervenção no país.

Por outro lado, o secretariado paquistanês decidiu formar um comitê de trabalho para ajudar o Fórum a “contribuir no socorro e na reconstrução [do país], especialmente na preparação de novos abrigos com a assistência das organizações participantes e outros apoiadores”.

Concomitantemente, os trabalhos de organização burocrática e estrutural do FSM de Karachi devem continuar normalmente nos setores de mobilização, inscrições para o evento e “outros debates essenciais para a manutenção da organização e para que não haja nenhuma quebra ou intervalo”.

Zapatistas em Caracas

Confirmando a tendência de “centro” do FSM policêntrico de 2006, a Venezuela, se depender do esforço de várias lideranças internacionais ligadas à Rede de Movimentos Sociaisdo FSM, poderá contar pela primeira vez em uma edição do Fórum com a participação de membros do movimento zapatista mexicano, cuja insurgência em 1994 inspirou grande parte do movimento altermundista que culminou no FSM em 2001.

Em carta enviada ao Exercito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e às “comunidades zapatistas”, lideranças de movimentos sociais e intelectuais, como João Pedro Stédile pelo MST e Via Campesina, o premio Nobel da Paz argentino, Adolfo Pérez Esquivel, o sociólogo belga François Houtart, pelo Fórum Mundial das Alternativas, Rafael Freire, dirigente da CUT, pela Aliança Social Continental, o cientista político belga Eric Toussaint, pelo Comitê para a Abolição da Dívida do Terceiro Mundo, entre outros formalizaram um convite à participação do evento em Caracas para “trabalhar juntos pela construção desse mundo onde caibam todos os nossos mundos, com nossas diferenças mas com um mesmo compromisso”.

Segundo Nalu Faria, coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres no Brasil, a idéia dos convocantes foi reforçar o grau de mobilização dos movimentos sociais da América Latina para ampliar a correlação de forças contra o projeto dos EUA para a região, esforço para o qual a participação do movimento zapatista seria fundamental. “Até a última sexta (18), quando nos reunimos, ainda não tivemos resposta. Estamos no aguardo”, diz Nalu.

Apesar de ter sido convidado outras vezes pela organização do Fórum, a participação dos zapatistas no processo FSM nunca ocorreu de forma presencial – o Subcomandante Marco, liderança mais conhecida do movimento, já enviou anteriormente notas de apoio aos seus participantes.

Desta vez, avaliam os movimentos, pode ser diferente. “A América Latina, como vocês sabem, se encontra em uma emergencia em duplo sentido. Por um lado, pela ofensiva econômica, cultural e militar implacável dos Estados Unidos, que procura submeter o continente completo a seus desígnios e interesses; por outro, pela insurgência dos povos, dos quais somos parte, que defendem seu território, formas de vida e autodeterminação. (…) Sabemos, como vocês, que, se esta guerra for perdida, já não haverá uma próxima guerra que lutar”, diz a carta. E termina: “na Venezuela precisamos de vocês”.

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