Generais do Exército americano acusaram a Central de Inteligência americana (CIA, na sigla em inglês) de esconder presos no Iraque, ao não apresentar documentos que registrassem a ocorrência das prisões.
As prisões também não foram informadas ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o que representa uma violação à Convenção de Genebra.
De acordo com o general Paul Kern há vários relatos sobre as detenções que não foram registradas, ou de “prisioneiros fantasmas”, no Iraque.
“Há denúncias de que pessoas foram detidas e transferidas (de prisões) para que não pudessem ser identificadas pela Cruz Vermelha Internacional. Isso representa uma violação de nossa política”, disse ele.
Ainda segundo Kern, o número de detidos sem registro pode chegar “a cem”.
O Exército americano já havia identificado oito casos de “prisioneiros fantasmas”, mas o novo relato sugere que a prática de esconder presos pode ter sido muito mais ampla.
Kern está chefiando as investigações sobre abusos cometidos contra os prisioneiros iraquianos na cadeia de Abu Ghraib.
Investigação
O general-de-Exército George Fay afirmou que os militares não conseguiram “obter da Agência Central de Inteligência as perguntas para essas perguntas (sobre o número de prisioneiros fantasmas)”.
Ele acrescentou que, por causa disso, o Exército “realmente não sabe o volume” de pessoas que foram detidas nessas condições.
De acordo com o ex-secretário de Defesa americano Harold Brown, a administração Bush tem responsabilidade sobre o escândalo, uma vez que não teria feito os preparativos necessários para o pós-guerra no Iraque.
Fay é um pouco mais conservador em sua estimativa para o volume de presos “escondidos” no iraque.
Para ele, o mais provável que o total de presos sem registro chegue a “duas dúzias”.
Oito generais da reserva pediram uma investigação independente sobre o assunto.
Entre os militares que pediram a investigação estão alguns ligados à campanha presidencial do senador democrata John Kerry.
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