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Genoino ameaça mostrar deslizes da esquerda

abr 28, 2005 | Geral

Disputa pelo comando do partido faz secretário-geral, Sílvio Pereira, recomendar que insatisfeitos deixem governo

A cinco meses da eleição, fervilha a disputa pela presidência do PT. Em resposta aos duros ataques da Democracia Socialista (DS), o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira, cobrou coerência e humildade da esquerda petista, recomendando até que os insatisfeitos deixem seus cargos.

“Para quem ataca de dentro do governo fica fácil, né? Não tem ônus. Só tem bônus”, contra-atacou ele, acrescentando que “um ministro de Estado ou está de acordo com o governo ou sai”.

Tanto Pereira como o presidente do PT, José Genoino, avisam que vão lançar luz sobre deficiências administrativas da esquerda em governos passados. Só varia o tom. “Nenhum concorrente é virgem em matéria de governar. Eles podem aproveitar a oportunidade e explicar quais foram os ensinamentos inovadores que fizeram”, disse Genoino, numa clara referência ao candidato da DS, o ex-prefeito de Porto Alegre Raul Pont, derrotado na disputa pela reeleição da cidade.

Pereira é explícito e não poupa nem o ministro das Cidades e ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra. “Eles governaram Porto Alegre por 16 anos. O PT tinha autonomia? Acabaram com o partido. Quem dirigia Imperatriz? Campinas? Porto Alegre? O Rio Grande do Sul? A esquerda. Perderam por quê?”

Ao responder aos ataques do deputado João Alfredo (CE), segundo o qual Genoino é “um bedel de deputados”, Pereira perguntou o que a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, “está fazendo de tão revolucionário”.

O secretário-geral do PT lembrou que o prefeito de Vitória, João Coser, da Articulação de Esquerda, aliou-se até ao PP. “Apóio o que fazem. Só cobro autocrítica. Queria que a esquerda apresentasse um modelo que deu certo no Brasil”, desafiou.

Os dois criticam o tom adotado pela DS. “Vou debater as idéias de futuro. Não vou debater essa agenda do Raul. Ela é pequena, é pobre e rebaixa o debate”, reagiu Genoino. Pereira diz que as regras do debate serão submetidas à Executiva, na reunião de 2 de maio. “Se for para o vale tudo, a coisa vai se complicar. O Incra, no país inteiro, está com a esquerda. Nunca fizemos uma crítica a esse ou aquele porque é de tal corrente. Mas não vamos ficar só apanhando. Ninguém aqui tem dom para masoquista”, disse Pereira, para quem o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, não deve criticar publicamente o governo.

admin
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