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Governo do Brasil diz ser neutro sobre referendo da Venezuela

ago 19, 2004 | Geral

BRASÍLIA (Reuters) – O governo brasileiro é neutro diante do plebiscito na Venezuela, embora o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha expressado seu apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse nesta quinta-feira o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia. “Não somos parte neste referendo, isto seria uma ingerência nos assuntos internos da Venezuela, o que nunca pretendemos”, disse a jornalistas no Palácio do Planalto Garcia, assessor de política externa de Lula.

O PT expressou na semana passada seu apoio a Chávez no plebiscito de domingo, quando os venezuelanos vão decidir nas urnas o destino do governo, diante da proposta da oposição para que seja revogado o mandato presidencial.

“No Brasil não existe um partido único, nem um regime de partido-Estado, existem muitos partidos, entre eles o PT”, disse Garcia. “E o PT tem criticado duramente alguns aspectos do governo Lula e o apoio a Chávez é o apoio do PT”, acrescentou.

Garcia fez estas declarações ao ser interrogado sobre o surgimento de cartazes, em Caracas, com as fotos de Chávez, Lula e o presidente argentino Néstor Kirchner, com os dizeres “unidos, seremos invencíveis”.

“A posição do governo brasileiro é de neutralidade no processo venezuelano”, disse o assessor presidencial.

Apesar desta declaração, um quinto dos integrantes da Câmara dos Deputados assinou um comunicado de apoio a Chávez, segundo informou o deputado Chico Alencar, do PT, partido da maioria dos 108 signatários.

Na semana passada, o PT publicou nota em seu site manifestando “a convicção de que a vitória do governo representará a consolidação da democracia e ampliação das conquistas sociais do povo venezuelano”.

No mês passado, uma comitiva de artistas, intelectuais, políticos e religiosos brasileiros viajaram a Caracas para entregar a Chávez um manifesto de apoio diante do plebiscito.

O documento foi assinado, entre dezenas de personalidades, pelo compositor Chico Buarque, pelo bispo católico Tomás Balduino, o escritor Fernando Morais e o arquiteto Oscar Niemeyer.

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