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Grito termina com homenagem à Marta Guarani

set 11, 2003 | Geral

 

Há cerca de nove anos o Brasil conhece uma maneira diferente de demonstrar patriotismo. Sem teto, sem terra, índios, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, unidos, marcham uns após outros, ou, ao lado dos tanques do Exército, em todo o país, e pedem justiça para a nossa nação. No feriado a princípio convencionado para se observar, eles fazem. Gritam palavras de fraternidade, pedem o perdão da grande dívida dos países pobres do mundo que é paga com o sangue e com a fome de milhões. O juro da miséria.

Neste ano, no Mato Grosso do Sul, homens e mulheres que partilham deste ideal não fugiram a sua responsabilidade e se reuniram em frente ao Colégio Dom Bosco, às 8h30 do dia sete de setembro. O mandato do deputado Pedro Kemp, do deputado Pedro Teruel, a Arquidiocese de Campo Grande, a CPT, o MST, a CUT-MS, a FETEMS, o CDDH- Marçal de Souza Tupã I e o CDL, uniram forças para marchar. Gritaram “Tirem as mãos… o Brasil é nosso chão”. Pediram um referendo justo, uma consulta popular digna do tamanho da nossa nação, para aprovar ou não, nosso ingresso na Alca. Gritaram também pela reforma agrária, pelo direito dos índios à terra e a vida, pela libertação dos companheiros do MST silenciados pela prisão.

Cerca de 300 pessoas, cidadãos por opção, marcharam pela 14 de julho, da Mato Grosso até a Afonso Pena; lá, em frente ao palanque de autoridades, o deputado Pedro Kemp (PT) representando as convicções de todos os movimentos envolvidos, chamou a atenção dos campograndenses para este civismo diferente, que não observa apenas, tem opinião e reage.

Clamou pela libertação de Carlos Ferrari, Antonio Alves de Lima, Antônio Fermínio de Souza, e Cícero Dionísio, companheiros do MST, presos desde o dia 26 de agosto; pediu urgência na demarcação das terras indígenas, na reforma agrária. E em meio ao barulho da multidão dos tanques que se dispersava, e à multidão dos companheiros que se aglutinava, Pedro pediu uma salva de palmas para Marta Guarani, companheira na luta e na coragem.

Foi um dos últimos atos do Grito dos Excluídos de 2003 em Campo Grande.

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