Pela primeira vez índios Terena de cinco aldeias de Mato Grosso do Sul vão à Brasília pedir justiça e demarcação de suas terras
Para os mais de 35 índios das aldeias de Lagoinha, Muchaco, Cachoeirinha e Argola, que representaram em Brasília a população indígena Terena em Mato Grosso do Sul, a viagem realizado nos úlitmos dias 10, 11 e 12 foi mais uma vitória para a etnia que luta pela demarcação das suas terras.
Se cumprido o Decreto nº 1775/96, e emitida a portaria de declaratória, fica cada vez mais próximo o dia em que os jovens Terena terão seu próprio espaço para viver, sem que precisem trabalhar como bóias frias nas plantações de cana. E atuando nesse sentido, as lideranças conseguiram fazer tramitar mais rapidamente o processo de demarcação dialogando pessoalmente com o Poder Federal através das audiências.
Na reunião do dia 10, os caciques Ramão Vieira (Lagoinha), Lourenço (Muchacho), Zacarias (Cachoeirinha), João Candelário (da Argola) foram recebidos pelo Procurador Geral da Funai, Luís Soares de Lima que se comprometeu a redigir, num prazo máximo de 10 dias, parecer sobre as contestações apresentadas pelos proprietários rurais contra o laudo antropológico oficial. Nesse sentido o próprio CIMI/MS reconhece como fundamental para a aceleração do processo, a formação da caravana.
As demais visitas seguiram o caráter de ação política e exposição da reinvindicação Terena em face aos atuais recursos que estão sendo impetrados pelos proprietários rurais. No dia 11 de março, os Terena foram recebidos pelo Chefe do Departamento de Assuntos Fundiários, Artur Nobre; pelo assessor do Ministério da Justiça para Assuntos Indígenas, Cláudio Luís Beirão e, no dia 12, com o presidente da Fundação Nacional do Índio, FUNAI, Mércio Pereira Gomes.
A visita à Brasília neste ano sem dúvida segue o mesmo ideal de justiça na demarcação das terras indígenas de outros povos indígenas de nosso Estado. No caso dos Terena, seguindo em especial uma proposta de trabalho que já vinha sendo discutida em suas “grandes assembléia”. A última, em dezembro de 2003, reuniu representantes de 700 famílias terenas e protestou contra o atual estado de confinamento que faz com que mais de 5.000 índios permaneçam em uma área de 2.468 ha.
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