O número de candidatos que se autodeclararam negros, pardos ou índios na inscrição para o vestibular da Unicamp deste ano é 44,3% maior que no ano passado. O número saltou de 7.076 concorrentes para 10.213, aumento considerado significativo pela coordenação do vestibular. A primeira fase do processo seletivo –que inclui 12 questões dissertativa e uma redação– será realizada neste domingo, a partir das 14h.
A principal justificativa é o início do Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social, que entrou em vigor a partir deste ano. O programa –que não funciona como o sistema de cotas aprovado em algumas universidades públicas– foi autorizado pelo Consu (Conselho Universitário) da Unicamp em maio.
Pelo método, os estudantes que realizaram todo o ensino médio em escolas da rede pública terão 30 pontos extras na pontuação final da prova (somente na segunda fase do vestibular). Os alunos que concluíram o ensino médio em escola pública e que, além disso, se autodeclararam pretos, pardos ou índios serão beneficiados com 40 pontos extras.
De acordo com a Unicamp, embora o número de vestibulandos afrodescendentes tenha aumentado consideravelmente, nem todos os candidatos participarão do programa –ou porque estudaram em colégios particulares ou porque simplesmente não quiseram concorrer por meio da utilização do benefício.
Do total de inscritos para o próximo vestibular (53.756 candidatos), 30,8% (16.577) optaram pelo programa social. Dentro desse número, 5.500 candidatos são estudantes de escola pública que se autodeclararam negros, pardos ou índios.
“Esse número não está fora do que esperávamos. É um estímulo que estamos oferecendo ao aluno”, disse o professor Leandro Tessler, coordenador-executivo do vestibular da Unicamp.
O principal objetivo do programa é incentivar os estudantes com esse perfil a se inscreverem no vestibular. A decisão de estimular alunos de escolas públicas teve como base um estudo feito na universidade que apontou que esses candidatos, quando matriculados, mostraram melhor desempenho acadêmico.
Apesar de o critério ser a autodeclaração, a Unicamp diz não acreditar que houve fraudes nas inscrições. “A rigor, não acredito nisso. Mas, se houve alguém que se autodeclarou negro e não é, não sou eu quem vai discordar disso”, disse Tessler.
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