Os limites impostos pelos israelenses nos territórios palestinos criaram as “estradas do apartheid”. Esta é a conclusão do relatório da organização não governamental B’Tselem Centro Israelense de Informação para Direitos Humanos nos Territórios Ocupados.
O levantamento que foi feito entre os meses de maio e agosto deste ano revela que em cerca de 700 quilômetros de estradas da Cisjordânia há grandes dificuldades para o deslocamento dos palestinos, tornando a vida deles muito difícil enquanto que para os colonos israelenses, há vias próprias e exclusivas, onde o tráfego palestino é proibido.
Segundo o relatório, Israel criou um regime de estradas proibidas, baseado no princípio de separação com linhas imaginárias que era típico do regime discriminatório da África do Sul.
Categorias
As vias principais são divididas em três categorias: em 17 delas, que totalizam cerca de 120 quilômetros, não há permissão para o tráfego de veículos palestinos; em dez estradas, num total de 25 quilômetros, o transporte é permitido parcialmente somente para os palestinos que detêm permissões especiais e em 14, com 365 quilômetros, o tráfego de carros palestinos é feito através de um ou dois cruzamentos onde há barreiras de controle do Exército israelense.
De acordo com a entidade, há 56 barreiras fixas e mais oito móveis onde soldados israelenses fazem inspeção de carros e da identidade dos passageiros.
O objetivo do estudo era o de verificar a liberdade de locomoção nas estradas dos territórios palestinos. Segundo a diretora geral da entidade, Jessica Montal, não há dúvida de que Israel tem o direito de defender seus cidadãos, inclusive aqueles que estão na Cisjordânia, porém, paralelamente a isto, não se pode fazer uma política discriminatória que vê em cada um dos 2 milhões de palestinos uma ameaça à segurança nacional.
A entidade, que pode ser visitada na internet http://www.btselem.org/, foi estabelecida em 1989 por um grupo de acadêmicos, jornalistas e parlamentares com o objetivo de documentar e educar o público e os políticos israelenses sobre as violações dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados por Israel e ainda ajudar a criar uma cultura de direitos humanos no país.
B’Tselem , em hebraico, significa “à imagem de ” e é usada também como sinônimo de dignidade humana. A palavra foi tirada do livro Gênesis, da Bíblia: “e Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”. É baseada ainda no espírito do primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que estabelece que “todas os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.
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