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Livro e página eletrônica recuperam Diretas Já

nov 20, 2003 | Geral

 

A Fundação Perseu Abramo lembrará os 20 anos do primeiro comício das Diretas Já com o lançamento de livro e de página eletrônica. “Diretas Já – O grito preso na garganta” é o nome do livro de Alberto Tosi Rodrigues, e o endereço da página eletrônica é www.fpa.org.br/diretas. A festa de lançamento será realizada dia 28 de novembro, a partir das 19h30, na sede da Fundação, em São Paulo (rua Francisco Cruz, 234, ao lado do Metrô Vila Mariana).

O primeiro comício das Diretas foi realizado em 27 de novembro de 1983, na Praça Charles Müller, em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo. O PT participou ativamente das Diretas-Já, destacando-se como a organização que mais mobilizava e empolgava os comícios. “Não se trata de nos vangloriar de que o PT foi o pai da criança. Mas que foi o primeiro partido a sair às ruas para exigir eleições diretas para presidente, isso realmente foi”, ressalta o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que na época era presidente do partido.

Segundo ele, no início, a campanha foi vista com ceticismo por vários setores oposicionistas. Esses setores temiam que o movimento servisse apenas para provocar e endurecer a ditadura. “O governador Franco Montoro (então do PMDB) alegou que não poderia comparecer porque estaria no prêmio do Jóquei Clube, mas depois nos chamou para participar do primeiro grande comício no dia 25 de janeiro, na Praça da Sé, durante as comemorações do aniversário de São Paulo”, relembra Devanir.

No ano seguinte, a campanha tomou conta de toda a sociedade, transformando-se no maior movimento de massas contra a ditadura militar. Apesar de toda essa mobilização popular, a Emenda Dante de Oliveira, que previa eleições diretas para presidente já em 1984, não obteve o número necessário de votos na Câmara dos Deputados.

O período histórico relatado pelo livro de Tosi tem início em agosto de 1983, quando o então presidente João Figueiredo retorna ao cargo, após um afastamento médico. O livro aborda a crise do regime militar e o ressurgimento da sociedade civil organizada, calada até então pela violenta ação do regime militar – que começou em 1964 e recrudesceu com o AI-5, em 1968.

Tosi Rodrigues trata das vitórias e das derrotas do movimento das Diretas Já. Tem a preocupação didática de informar o leitor sobre fatos e articulações políticas que permeavam a época. O livro tem quadros explicativos, uma coleção de fotos e muitas charges e ilustrações da época, resgatando o traço de Henfil, do “Bar Brasil” de Paulo Caruso e Alex Solnik, de Chico Caruso e de outros artistas. Traz, ainda, uma cronologia dos comícios, a partir do Pacaembu até o do Rio de Janeiro, em 27 de junho de 1984.

Página – A página especial da internet poderá ser vista a partir de 28 de novembro e reúne depoimentos inéditos, fotos, documentos e ilustrações da época. Um dos depoimentos inéditos é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Traz também, com acesso livre e gratuito, a versão eletrônica do livro “Explode Um Novo Brasil: Diário da Campanha das Diretas”, escrito em 1984 pelo jornalista Ricardo Kotscho quando ainda era repórter da Folha de S. Paulo. Kotscho, que hoje é o assessor de imprensa do presidente Lula, dá também seu depoimento.

Para a página eletrônica, escrevem personalidades como Osmar Santos, Juca Kfouri, Sócrates, Lélia Abramo, Saturnino Braga, Almino Afonso, Jair Meneguelli e outros nomes que tomaram os palanques para defender as eleições diretas para presidente da República. Entre as ilustrações, estão trabalhos de Henfil e a reprodução de uma tela, pintada pelo ex-locutor esportivo Osmar Santos, especialmente para a página. Por sua participação ativa na campanha, Osmar Santos ficou conhecido como “o locutor das Diretas”.

admin
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