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Lula estável na frente; Alckmin atrai parte de brancos e nulos

jul 13, 2006 | Geral

A principal conclusão da pesquisa eleitoral deste mês encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) junto ao Instituto Sensus, divulgada nesta terça-feira (11), está na confirmação das movimentações do eleitorado apontadas nos últimos levantamentos de junho do Ibope e do Datafolha: a estabilidade das intenções de voto do presidente Lula em um patamar alto e o crescimento moderado de Geraldo Alckmin após a exposição em cadeia nacional de rádio e televisão e o refluxo da imagem negativa decorrente do período subseqüente aos ataques do crime organizado em São Paulo. Tal tendência de refluxo pode ser aferida pela migração de parte do eleitorado que vinha optando pelo voto branco ou nulo nas pesquisas anteriores que deslocou a preferência para a candidatura do ex-governador de São Paulo, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

Na pesquisa espontânea, o candidato à reeleição pelo PT somou 33,5% das intenções de voto, contra 12,6% de Alckmin, do PSDB. No levantamento anterior da CNT/Sensus, em maio, Lula agregava 28,2% e Alckmin, 8,1%. Na aferição estimulada, Lula chegou a 44,1% das intenções de voto, o tucano passou para 27,2%, enquanto que a candidata do PSol, Heloísa Helena, ficou com 5,4% e Cristovam Buarque, do PDT, com 1,4%. Na pesquisa estimulada de maio, o petista tinha 42,7%; Alckmin permanecia com 20,3%, Heloísa Helena chegava a 8% e Cristovam ainda não passava de 0,5%.

Com 55% dos votos válidos, Lula estaria reeleito no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Outra informação importante da pesquisa CNT/Sensus: a queda da rejeição individual de Alckmin, de 40,6% para 35,8% colocou o candidato tucano, de acordo com os critérios elaborados pelo instituto contratado, em “patamar de candidato competitivo” (abaixo de 40% de rejeição). “Alckmin está competitivo, embora o conjunto dos indicadores seja francamente favorável a Lula”, avaliou o presidente do Sensus, Ricardo Guedes.

Também diminuiu, de maio para julho, o percentual dos eleitores que vinculam o PT aos casos de corrupção noticiados (39,1% em setembro do ano passado para 22,1% agora), mas aumentou os que vinculam o presidente Lula a esses casos (13,5% para 18,2%) e os que não sabem responder (12,7% para 25,5%); as vinculações dos casos de corrupção com o Congresso e o governo permaneceram estáveis.

No mesmo período, houve ainda ligeira melhora na avaliação do governo Lula (positiva subiu de 38,3% para 41%), com crescimento expressivo nas regiões Nordeste (48,8% para 55%) e Sul (27,3% para 36,5%), bem como nas regiões Norte e Centro-Oeste (36,7% para 40,4%). No Sudeste, houve pequena queda (35,5% para 33,3%).

A aprovação do desempenho pessoal do presidente Lula também oscilou positivamente de maio para julho (53,9% para 55,8%); registre-se a melhora na região Sul (37,8% para 51,4%), Nordeste (71,4% para 70,2%) e Sudeste (45,9% para 47,8%) – caiu apenas no Norte e Centro-Oeste (59,5% para 55,7%). Também vale registro o crescimento da aprovação de Lula nos municípios médios (54,4% para 61,6%) – nos grandes municípios houve pequena queda (49,6% para 46,4%). É justamente nas cidades maiores que não são capitais nem fazem parte de regiões metropolitanas, onde estão 12,6% dos eleitores, que os índices de desaprovação do presidente aumentaram de 40,9% para 45,2%.

Lula também está perdendo popularidade entre os jovens: a desaprovação nessa parcela do eleitorado cresceu de 38,1% para 45,3% entre os eleitores de 16 e 17 anos. No segmento de 30 a 39 anos, que vinha sendo o mais reticente em relação ao governo, a desaprovação ao presidente caiu de 44,2% para 37,9%. Simultaneamente, os eleitores desta mesma faixa etária puxaram para cima a média de aprovação de Lula (56,5%), perdendo apenas para os segmentos de maior faixa etária (40 a 49: 57,6%; 50 ou mais: 58,2%). Os eleitores de nível superior também melhoraram sua impressão com relação ao presidente (36,5% para 46% de aprovação e 55,8% para 50,5% de desaprovação).

SEGUNDO TURNO

As comparações de segundo turno são melhores para observar tendências entre as duas principais candidaturas, pois a pesquisa de primeiro turno inclui outros candidatos. No geral, na simulação para o segundo turno, Alckmin cresceu de 31,3% para 35,8% e Lula se estabilizou (48,8% para 48,6%); em votos válidos, a diferença entre os dois caiu de 22 pontos para 15 (61% x 39% em maio e 57,5% x 42,5% em julho);

O crescimento maior de Alckmin se deu no Sudeste (33,9% para 43,9%). No Sul, o ex-governador de São Paulo também cresceu (36,8% para 41,2%). O tucano, aliás, ultrapassou o petista nessas duas regiões. Esse movimento foi acompanhado justamente pela queda na tendência dos votos brancos e nulos nas mesmas duas regiões (18,6% para 12,2% e 16,8% para 11,3%, respectivamente). No Nordeste e no Norte e Centro-Oeste, a intenção de voto destinada a Alckmin ficou estabilizada (21,7% para 20,1% e 36,7% para 37%).

Alckmin também cresceu nos grandes municípios de maio para julho (29,8% para 46%). Nesse segmento, aliás, ele está “tirando” votos de Lula, que caiu de 45,2% para 40,1%.

O candidato tucano tem mais votos no eleitorado feminino (39,3%) do que no masculino (32,1%). Lula tem preferência maior entre homens (55,2%) do que entre mulheres (42,2%). De acordo com Ricardo Guedes, essa diferença favorece Lula, pois historicamente o voto masculino “puxa” o feminino na reta final da eleição. Esse fenômeno tem até um nome curioso: “movimento social”. Segundo Guedes, essa tendência acaba se confirmando porque os homens se interessam mais por política do que as mulheres, que acabam acompanhando o movimento dos companheiros ou de parentes próximos do sexo masculino.

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