O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite desta terça-feira que seu governo levará as investigações sobre corrupção até as ultimas conseqüências. “Por isso jurei à Constituição do Brasil, sou o principal guardião das instituições deste país, estou ciente das minhas atribuições como primeiro mandatário e como funcionário público do país. Tenho nos meus ombros a responsabilidade com este país e sei o que jurei aos brasileiros e brasileiras. Não acobertaremos ninguém”, disse o presidente na abertura do 4º Fórum Global de Combate à Corrupção, realizado no hotel Blue Tree Park em Brasília.
O presidente ressaltou a decisão tomada nesta terça ao exonerar os diretores dos Correios e do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Segundo Lula, o que está em jogo é a respeitabilidade das instituições brasileiras e ressaltou que o governo está investigando. “O momento exige de todos nós a máxima transparência. Os obstáculos por maiores que possam parecer podem ser ultrapassados. Estou seguro que nosso país sairá fortalecido”, disse Lula.
“Feliz é um país que tem este Ministério Público, comandando por Cláudio Fonteles, que muitas vezes faz mais do que deveria fazer e que é extremamente importante ao país. Ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que dispenso apresentações, nunca esteve tão forte. Onde teve uma denúncia, a Polícia Federal conseguiu fazer um trabalho de causar inveja a muita polícia de países desenvolvidos do mundo inteiro”, elogiou Lula.
O presidente reiterou que não pretende tomar nenhuma medida populista. “Não está em mim uma medida populista porque estamos a um ano e meio das eleições. O Brasil que estamos construindo é um legado, que eu e o povo brasileiro deixaremos para as próximas gerações”, disse. “Decidimos aperfeiçoar os mecanismos institucionais já existentes e criamos novos para defender os bens públicos. Tem sido intensa a participação civil no nosso governo. Fortalecemos o Ministério da Justiça. Está em curso a apuração de 70 servidores que apresentaram bens incompatíveis com a renda declarada, numa ação que tem custo de R$ 90 bilhões de reais por ano”, disse.
Lula lembrou as ações realizadas pela Polícia Federal e pela CGU. “Tivemos ainda 46 ações de combate à corrupção neste governo, 1.234 prisões, sendo formalmente acusadas, 819 pessoas. A Operação Curupira, realizada pela ministra Marina Silva desde a semana passada, realizou 124 prisões preventivas e desmontou todo um esquema de fraude e corrupção no Mato Grosso instalado desde a década de 80”, garantiu o presidente.
Segundo Lula, é preciso que a impunidade não proteja alguns. “Eles devem sentir que o governo e a sociedade estão vigilantes, investigando toda e qualquer denúncia que houver. Esse trabalho da imprensa é meritório, a maioria são casos antigos que agora estão sendo investigados e punidos O que tem aumentando não é a corrupção, mas o constante combate que o governo faz à corrupção”, disse Lula.
“Com democracia, liberdade, sem intromissão do Executivo, com o Ministério da Justiça e a Controladoria funcionando e a sociedade vigilante teremos várias páginas sobre a corrupção, até o dia em que abriremos as páginas do jornal e veremos que eles serão punidos. Vamos fazer a parte que nos cabe e sabemos que a luta persiste”, ressaltou Lula.
O presidente lembrou que durante suas viagens ao exterior, tem percebido que a corrupção prejudica aqueles que mais precisam que o Estado os beneficie com medidas públicas. “Enquanto não nos livrarmos da corrupção nosso povo não atingirá a plenitude da cidadania que o nosso povo precisa”, afirmou. Lula destacou que o que o Brasil quer ser também para o mundo é exemplo de combate a corrupção e de combate a impunidade num país de desenvolvimento como é o nosso querido Brasil”, disse Lula ao finalizar seu discurso.
Participaram da solenidade os ministros Márcio Thomaz Bastos, da Justiça; Nilmário Miranda, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Waldir Pires, da Controladoria Geral da União; Eduardo Campos, da Ciência e Tecnologia; Marina Silva, do Meio Ambiente, e Tarso Genro, da Educação; o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (UNODC) e subsecretário-geral da ONU, Antônio Maria Costa, e o presidente do Senado, Renan Calheiros.
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