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Ministério e USP propõem reforço a excluído

maio 26, 2005 | Geral

Reforço escolar para alunos da rede pública como forma de inclusão social. Essa foi uma das propostas do Ministério da Educação e da USP apresentadas em debate promovido pela Folha. O evento, chamado de “Ensino superior e inclusão social”, ocorreu na última quarta-feira.

Os debatedores foram o reitor da USP, Adolpho José Melfi; o reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge; o secretário para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Rodrigo Rollemberg; o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (MEC), Ricardo Henriques; e o secretário estadual de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo, João Carlos de Souza Meirelles. A mediação ficou a cargo do jornalista Gilberto Dimenstein, integrante do Conselho Editorial da Folha.

Um dado apresentado pelo reitor da Unicamp é, nas palavras dele próprio, “sintomático da necessidade de se produzir medidas visando a inclusão social”: segundo o Censo 2003 (levantamento realizado pelo MEC), 1,6% dos jovens de 18 a 24 anos que estão em cursos de nível superior pertencem aos 57,3% da população que tem renda per capita familiar abaixo do salário mínimo. “Esse dado mostra uma inversão completa”, afirmou o reitor.

Para solucionar o problema, algumas propostas tiveram apoio de todos os integrantes da mesa. Algumas delas estão relacionadas à melhoria do ensino básico público, com qualificação de professores e de alunos. Para esta última, o reitor da USP afirmou que a universidade pensa em dar reforço escolar a estudantes que ele classificou como “talentos”.

A escolha seria feita por meio de “critério objetivos”, como o desempenho no Saresp (exame aplicado pela Secretaria Estadual de Educação). “É uma idéia. Com o reforço, [podemos] possibilitar a entrada desse aluno na universidade”, disse Melfi.

Idéia parecida vem sendo aplicada pelo MEC, em um dos programas do Diversidade na Universidade. Henriques contou que, desde o começo do ano, 700 alunos das três séries do ensino médio público de todo o país vêm recebendo uma tutoria [acompanhamento de um professor]. A escolha dos estudantes foi aleatória.

No mesmo programa, 29 cursos pré-vestibulares estão recebendo financiamento. Os resultados dos dois projetos servirão como base para criação de políticas “de massa”, que buscarão aumentar o número de estudantes da rede pública no ensino superior.

Enquanto alguns temas receberam apoio de todos os debatedores, a proposta de reserva de vagas dividiu os especialistas. Os integrantes do governo federal defenderam a proposta que consta no anteprojeto de reforma universitária, que reserva 50% das vagas nas universidades federais a alunos do ensino médio público. Os reitores da USP e da Unicamp se mostraram contrários à idéia.

Já o secretário estadual de ciência e tecnologia enfatizou a necessidade de diversificação do sistema superior, hoje baseado em universidades. “Há alunos que não têm vocação para formação acadêmica, mas precisam trabalhar”, disse Meirelles.

O secretário para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, por sua vez, defendeu a extensão universitária. “A grande virtude da extensão é que ela pode promover a inclusão social para aqueles que estão fora do ensino superior”, disse Rollemberg.

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