Fique por dentro

No campo e na cidade, benefícios e gastos diferentes

maio 27, 2004 | Geral

Os orçamentos divergem muito: na zona rural, gasta-se mais com alimentação; na área urbana, com tarifas e aluguel

RIO – No bolso, renda duas vezes menor. Na mesa, arroz, feijão, fubá e carne de segunda, em vez de pão francês, leite pasteurizado e carnes nobres. Nas moradias, ausência de coleta de lixo, drenagem, iluminação e água encanada.

A diferença entre as famílias que vivem na área rural e as que moram na área urbana está em cada detalhe da Pesquisa de Orçamentos Familiares. A começar pelo que cada uma tem disponível para gastar. No Brasil urbano, o rendimento familiar, incluindo valores monetários e não-monetários, é de R$ 1.954,43 mensais; no campo, é de R$ 873,94. As despesas das famílias urbanas chegam a R$ 1.941,88 por mês; nas rurais, elas chegam a menos da metade: R$ 867,45.

As maiores diferenças entre os dois mundos está no acesso a serviços. Chega a 80% a proporção de famílias rurais que vivem em locais sem coleta de lixo, enquanto nas cidades são apenas 5%. Falta drenagem das águas das chuvas nas moradias de 73% das famílias rurais e em 17% das urbanas. Na pesquisa, 22,5% dos entrevistados da área rural disseram não ter fornecimento de energia elétrica em suas casas, ante apenas 1,3% dos moradores da zona urbana.

Publicado em 20.05.2004

Nas despesas de consumo, as 7,4 milhões de famílias rurais diferem das 41,3 milhões de famílias urbanas, principalmente em educação e habitação, além de alimentação. No meio urbano, gasta-se três vezes mais, proporcionalmente, com escola, livros e outros materiais didáticos, do que na zona rural. Das despesas totais com consumo das famílias urbanas, 36,1% são dedicadas a aluguel, taxas, contas de luz, telefone, gás e outros gastos com moradia. Na zona rural, esse porcentual é de 28,6%.

À mesa – Por outro lado, o peso da alimentação no total de despesas é muito maior nos domicílios rurais: 34,1%, ante 19,6% nas famílias urbanas. “Na área rural, o peso da alimentação nas despesas é o mesmo registrado para o País todo há 30 anos”, destaca o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes. Apesar do alto peso dos gastos com comida, as famílias rurais estão mais insatisfeitas com o que têm disponível nas refeições. Chega a 57% a proporção de famílias rurais que disseram ser insuficiente a quantidade de alimentos que consomem, enquanto na área urbana é de 45%.

Os moradores do campo compram o dobro de arroz (31,8 quilos anuais por pessoa), três vezes mais feijão (22,9 quilos) e seis vezes mais farinha de mandioca (20,8 quilos). Os 17,9 quilos de pão francês comprados pelas famílias urbanas representam quase quatro vezes o que se consome no meio rural. Leite pasteurizado e açúcar refinado também são produtos da mesa urbana, raríssimos nas moradias rurais: são 6,3 litros ante 37,8 litros per capita por ano no caso do leite. No campo, o açúcar é do tipo cristal, com consumo per capital anual de 20,4 quilos; no setor urbano, o consumo é de apenas 4,2 quilos.

Outro dado revelador das duas realidades distintas é a composição da renda das famílias rurais e urbanas. Dos rendimentos urbanos totais, 62,7% vêm do trabalho; no meio rural, 53,4%. O rendimento não-monetário (produção própria de uma lavoura, por exemplo, ou de caça e pesca) tem peso importante na zona rural, chegando a 23,3% do total da renda das famílias, enquanto no meio urbano é de apenas 14%. (L.N.L.)

admin
admin

0 comentários