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Nova representação do PSDB contra Lula

out 7, 2004 | Geral

Encontro de Lula com os prefeitos eleitos no Planalto gerou forte reação do PSDB. Fernando Henrique propõe comparação entre os dois primeiros anos de seu governo e do atual. Governo e Genoino rebatem.

O confronto entre PSDB e PT ganhou novos desdobramentos ontem, mostrando que a temperatura política entre tucanos e petistas vai crescer até o pleito.

Nesta quarta, Lula recebeu o governador de Goiás, Marconi Perillo, e o ministro da Casa Civil, José Dirceu, no Palácio do Planalto.

Se Lula é o principal trunfo do PT e não resiste ao envolvimento político, o PSDB tenta neutralizá-lo na medida do possível. Foi o que aconteceu ontem, com a executiva nacional dos tucanos decidindo representar ao Ministério Público Federal, tal como fizera no caso de sua visita a São Paulo, tendo como causa agora a reunião realizada com os prefeitos petistas eleitos das capitais no Palácio do Planalto. Desta vez acusando Lula de crime de improbidade administrativa.

Caso o Ministério Público aceitar as razões da representação, ela será enviada ao TSE. Quem assina é o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman. A cúpula tucana considera que houve uso de patrimônio público para fins eleitorais no encontro.

Segundo o deputado, o Palácio do Planalto, onde Lula se reuniu com os prefeitos do PT, pedindo-lhes apoio a Marta, tem uma simbologia: “Ele não é do Lula nem de ninguém, é da nação brasileira, do povo brasileiro, e o presidente tem que ser responsabilizado por isso. Lá é um lugar para discutir problemas do povo brasileiro, não do partido do presidente”.

Serra antecipou posição

Horas antes, Serra considerara estranho o presidente usar o gabinete para questões partidárias: “É inusitado você usar o gabinete de trabalho para gastar horas do seu tempo com questões partidárias. Isso não se faz. Isso se faz nas horas vagas, nos fins de semana, à noite, e não no horário de trabalho como se estivesse confundindo governo e partido. Há uma confusão no Brasil que está associada ao PT. Dentro de uma perspectiva republicana, governo é para servir as pessoas e não ao partido”.

Planalto reage

O porta-voz adjunto da Presidência da República, Rodrigo Baena, sem entrar em polêmica, informou que o presidente Lula recebeu os prefeitos eleitos do PT nas capitais, terça-feira, e que hoje receberá o prefeito reeleito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e Ricardo Coutinho, futuro prefeito de João Pessoa, e na segunda-feira, Teresa Jucá, de Boa Vista.

E esclareceu que o desejo do presidente é receber todos aqueles que pedirem audiência dentro das possibilidades de sua agenda. O governo passa a idéia de que o presidente receberá os prefeitos eleitos que solicitarem audiência.

Fernando Henrique entra em cena

O dia reservava mais ofensiva tucana e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acabou entrando na polêmica política. Para ele, o PT se transformou em uma “arca de Noé”, referindo-se ao interesse dos petistas em colher o apoio dos candidatos derrotados nas eleições de domingo à candidatura da prefeita Marta Suplicy.

E foi além, dizendo que o PSDB não faz questão de fechar coligações para a disputa do segundo turno em São Paulo: “Se tiver acordos será ótimo. Caso contrário, o importante é a manutenção das propostas do partido”.

Mostrando que estava decidido, Fernando Henrique foi adiante, levantando outra frente de debate. Propôs uma comparação dos seus dois primeiros anos de governo com o mesmo período do governo do presidente Lula. Ele sugeriu, entre outras coisas, o confronto de desempenho em itens como assentamento de trabalhadores sem-terra, acesso à educação e acesso à telefonia.

E depois de reiterar seu apoio a Serra, criticou a federalização da disputa pelos petistas, com o envolvimento do presidente da República. “Deveriam ter poupado o presidente Lula de se expor sem resultado, isso é que deveriam ter feito”, sustentando que o PT cometeu um equívoco “transformando uma derrota em São Paulo numa derrota nacional. Problema deles, é má política”.

Genoino rebate

Coube ao presidente do PT, José Genoino, rebater a série de críticas, garantindo que o presidente Lula não pediu o engajamento de ninguém nas campanhas do segundo turno: “O presidente não recebeu candidatos, teve sim uma reunião político-administrativa com os prefeitos eleitos de seu partido e não tratou de campanha eleitoral desta ou daquela cidade. Foram os prefeitos que declararam que vão se engajar na campanha, mas o presidente não fez campanha para esta ou aquela cidade”.

E provocou o candidato do PSDB em São Paulo: “Serra deveria dizer a verdade sobre onde foi articulada a candidatura dele em 1996 para a prefeitura de São Paulo e em 2002 para a presidência”. Para Genoino, o PSDB está buscando factóide em vez de discutir proposta de governo. “É factóide de quem perdeu o discurso político.”

Genoino respondeu ainda ao ex-presidente Fernando Henrique, que disse em São Paulo que o PT virou uma espécie de arca de Noé por conta das alianças com inúmeros partidos. “Arca de Noé quem fez foi Fernando Henrique quando governou o país por oito anos, inclusive para garantir a emenda da reeleição. O ex-presidente está banalizando a sua oposição ao PT”.

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