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ONU aponta fracasso dos EUA no comando do Iraque

dez 16, 2004 | Geral

Falta de coordenação política, irregularidades financeiras, inaptidão para controlar os rebeldes e dependência de contratos com empresas privadas foram algumas das críticas publicadas por um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado ontem, sobre a administração americana no Iraque.

O documento, publicado ontem pelo site do jornal norte-americano “The New York Times”, foi elaborado pelo Conselho de Vigilância Internacional para o Iraque, órgão criado pela ONU para a fiscalização da venda de petróleo no país.

Os iraquianos ficaram sob a gestão dos Estados Unidos entre 20 de março de 2003 e junho passado, quando o comando do país ficou a cargo da Autoridade Provisória da Coalizão no Iraque, dirigida pelo administrador americano Paul Bremer, substituído, depois, pelo governo interino do iraquiano.

Os auditores disseram que uma quantidade desconhecida de petróleo e derivados foram retirados do país, principalmente logo depois da invasão, em março de 2003.

Vice de Bush

O documento destaca particularmente inúmeras irregularidades na venda de petróleo e na atribuição de contratos, citando especialmente uma filial da Halliburton, empreiteira americana comandada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, de 1995 a 2000. A empresa foi a maior favorecida por contratos dados sem concorrência no Iraque.

Segundo o Conselho de Vigilância, a administração de Bremer utilizou de forma errada o dinheiro iraquiano e não conseguiu combater a corrupção.

O relatório critica especialmente o modo como o órgão entregou US$ 1,8 bilhão ao grupo Halliburton.

A Autoridade Provisória comandou o Iraque de 20 de março de 2003 até sua dissolução, em 28 de junho passado, quando o governo interino assumiu o poder.

De acordo com documentos transmitidos ao Conselho de Vigilância pela Agência de Controle dos Contratos de Defesa dos EUA, contratos totalizando US$ 812 milhões mostram “numerosas irregularidades, especialmente a ausência de avaliações técnicas e gastos não-justificados ou exagerados.”

O jornal destaca que a empresa de auditoria suíça KPMG, encarregada de investigar as irregularidades a pedido do Conselho de Vigilância, encontrou obstáculos para realizar seu trabalho em vários Ministérios iraquianos.

admin
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