Após a renúncia do presidente Carlos Mesa ocorrida na noite desta segunda-feira, grupos oposicionistas na Bolívia pedem também que os presidentes do Congresso e da Câmara dos Deputados também renunciem a seus cargos, para antecipar a realização das eleições presidenciais.
A linha sucessória é composta pelos presidentes do Congresso, Hormando Vaca Díez, da Câmara dos Deputados, Mario Cossio, e em último lugar o presidente da Corte Suprema de Justiça, Eduardo Rodríguez, o único dos três que pode convocar eleições gerais.
O dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS), Evo Morales, disse que “Mesa não pode continuar governando a Bolívia” e que seu partido, o principal da oposição, aceita a renúncia do governante.
“Nós somos um movimento democrático e vamos apostar por saídas democráticas e saídas constitucionais” afirmou o líder dos cocaleros.
“Se Vaca Díez não renunciar, a sucessão só vai a polarizar a Bolívia”, acrescentou.
El Alto
O presidente da Federação das Juntas Vicinais de El Alto [localizada a 12 km da capital e considerada um dos centros das manifestações que ocorrem no país há mais de duas semanas], Abel Mamani, também defendeu a renúncia dos outros membros do Congresso, além de afirmar que a renúncia de Mesa tem por objetivo “desmobilizar os setores sociais” que pedem a nacionalização do gás, e a formação de uma Assembléia Constituinte para fazer reformas na Constituição.
“Não concordamos que Hormando [Vaca Díez] seja o próximo presidente”, nem que seja “Cossio, por isso vai acontecer de as eleições serem adiantadas através de Rodríguez [o presidente da Suprema Corte]”, apontou o líder comunitário.
Mamani disse que os líderes de El Alto vão avaliar qual será o curso das mobilizações e da greve realizada desde meados de maio para “ameaçar” o Estado a responder aos pedidos.
Renúncia
Mesa fez seu pedido de renúncia na noite desta segunda-feira, em meio à convulsão social que abala o país. O fato foi comunicado por meio de pronunciamento em rede de televisão.
O Congresso boliviano deve agora avaliar o pedido de renúncia de Mesa, o que deve ocorrer ainda nesta terça-feira.
É a segunda vez que Mesa apresenta sua renúncia ao Congresso. O primeiro pedido aconteceu no início de março e foi rejeitado por unanimidade.
Mesa ocupou o cargo de presidente durante vinte meses, depois de suceder Gonzalo Sánchez de Lozada, que também renunciou após uma violenta agitação social.
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