O deputado egípcio e líder opositor Ayman Nour foi “torturado e submetido a um tratamento desumano”, denunciou nesta quarta-feira a Organização Egípcia Pró-Direitos Humanos (OEDH) em comunicado.
O deputado foi o primeiro a ter sua imunidade parlamentar revogada na semana passada em uma sessão extraordinária da Assembléia Nacional e depois foi detido sob acusações de falsificação dos documentos constitutivos de um partido político. Na segunda-feira passada, um juiz prorrogou sua detenção preventiva por 45 dias.
Ayman Nour foi eleito pelas filas do partido centrista Wafd nas últimas eleições de 2000, mas depois deixou a formação e criou um novo partido de corte liberal chamado Al Ghad (Amanhã), que passou longo tempo tentando se legalizar.
Apesar de Al Ghad ter conseguido as permissões há seis meses, a detenção de Nour foi justificada pela suposta falsificação dos documentos do partido.
A OEDH condenou hoje o que considerou “um tratamento que viola os instrumentos internacionais de direitos humanos, em particular a Convenção contra a Tortura, ratificada pelo Egito em 1986”. O mesmo Departamento de Estado dos EUA condenou a detenção de Nour, que muitos no Egito vêem como claramente política.
Este incidente coincide com os tímidos movimentos de vários grupos opositores para pedir reformas no regime do presidente Hosni Mubarak, e a abertura de um diálogo entre o partido deste e 15 grupos opositores para estudar a possibilidade de mudanças.
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