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Pela 1ª vez, Grito não ocorre após desfile

set 9, 2004 | Geral

Contrariando uma tradição que completa em 2004 dez anos, o Grito dos Excluídos não encerrou o Desfile de 7 de Setembro em Campo Grande. Para o deputado estadual Pedro Kemp (PT), a manifestação originalmente idealizada para contrapor uma realidade de miséria, fome e injustiça em que vivem milhões de brasileiros à celebração militar da independência do país perde em visibilidade com a realização em um outro local.

“O Grito foi idealizado para encerrar o desfile de 7 de Setembro para provocar e sensibilizar as autoridades e a população que assiste aos desfiles para uma realidade diversa da comemoração de independência, que abrange a luta pelos direitos indígenas, dos trabalhadores rurais, e o fim da exclusão pela fome e pela miséria de outros tantos brasileiros”, afirmou o deputado. Suas considerações lamentam a perda de visibilidade do protesto, mas em momento algum deixam de reforçar a importância do Grito. O deputado coordenou a primeira edição da manifestação há quase uma década quando presidia o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, Marçal de Souza.

O Grito dos Excluídos nasceu em 1995 como continuidade ao debate da Campanha da Fraternidade que naquele ano tratou da situação de exclusão em que sobrevivem milhares de brasileiros.O tema deste ano foi “Brasil: mudança pra valer o povo faz acontecer” e ocorreu simultaneamente em mais 2 mil localidades brasileiras. 

Em Campo Grande, a decisão pela realização do ato na Aldeia Água Bonita, segundo a organização, foi motivada para afastar a possibilidade de conotação político-partidária da manifestação. Na capital do Mato Grosso do Sul são aproximadamente 35 entidades que se organizam para a realização do protesto – entre elas a CNBB, CUT, MST e o próprio CDDH –  que neste ano reafirmou a sua negativa à Área de Livre Comércio das Américas e o pagamento da dívida externa, além de, pela singularidade do local, lembrar a morte da líder indígena, Marta Guarani.

 

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