economia brasileira cresceu 1,4% no primeiro trimestre deste ano em relação aos três últimos meses de 2005, segundo dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se do melhor desempenho desde o terceiro trimestre de 2004, quando a expansão foi de 1,5%.
A taxa do primeiro trimestre significa um crescimento anualizado de 5,7%. No ano passado, o PIB teve expansão de apenas 2,3%.
O resultado do trimestre ficou levemente abaixo do previsto por economistas ouvidos pela reportagem, que projetavam taxa de crescimento para o PIB (Produto Interno Bruto, a soma de todas as riquezas produzidas por país) entre 1,5% e 1,9% no período.
Em relação ao primeiro trimestre de 2005, houve expansão de 3,4% na economia. Nos últimos 12 meses, o PIB cresceu 2,4%.
Queda dos juros, aumento do crédito, melhora no nível de atividade industrial, crescimento das vendas do comércio, incentivos fiscais em alguns setores, expansão mundial e aumentos de gastos públicos em ano eleitoral são os principais fatores que impulsionaram a economia do país no período.
“Houve uma confluência de fatores positivos durante o primeiro trimestre que estimulou a economia”, afirmou Caio Megale, da Mauá Investimentos.
Os três setores que compõem o PIB tiveram crescimento em relação ao quarto trimestre, com destaque para indústria, com expansão de 1,7%. Agropecuária e serviços cresceram 1,1% e 0,8%, respectivamente.
Juros e crédito
Na avaliação do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o ciclo de corte dos juros básicos (Selic), iniciado em setembro do ano passado, já teve um efeito ‘psicológico’ sobre os empresários e os consumidores.
De setembro de 2005 até abril deste ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reduziu a Selic em quatro pontos percentuais. A taxa está em 15,75% ao ano, mesmo patamar de março de 2001. A expectativa do mercado é que o Copom reduza hoje o juro em pelo menos mais 0,5 ponto percentual.
Com a redução dos juros, o BC diminui a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. Assim, começa a ‘sobrar’ um pouco mais de dinheiro no mercado para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo.
O reflexo efetivo do corte do juro na economia, entretanto, deve ocorrer somente no próximo ano, segundo o economista da consultoria GRC Visão, Jason Vieira.
‘O afrouxamento monetário terá o maior efeito a partir de 2007, já que o corte do juro leva de três a seis meses para ter efeito na economia.’
Com a redução dos juros, houve uma maior procura por empréstimos. As operações de crédito com recursos livres (vinculadas à Selic e outras taxas de juros) cresceram 3,8% no primeiro trimestre e totalizaram R$ 419 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. Os empréstimos para pessoas físicas aumentaram 5,4% no período e, para empresas, 2,3%.
Indústria e comércio
A produção industrial brasileira, um dos principais setores da economia, cresceu 4,6% de janeiro a março deste ano sobre igual intervalo do ano anterior e 1,2% em relação as três últimos meses de 2005, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no início de maio.
O economista da Mauá avalia que houve uma reposição de estoques no período, o que acelerou o nível de atividade e contribuiu com o crescimento econômico do país.
Incentivos fiscais estimularam o desempenho de segmentos como o de máquinas para escritório e equipamentos de informática, que cresceu 67,4%, refletindo uma maior produção de computadores. Já a proximidade da Copa do Mundo impulsionou setores como e de material eletrônico e de comunicações, com alta de 21,7%, em razão da expansão na produção de televisores e telefones celulares.
Esse mesmo movimento foi verificado no comércio varejista, que apresentou expansão de 5,04% no acumulado do ano até março, com destaque para equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação –cresceu 55,38% no período.
Cenário externo
O crescimento da economia global e a continuidade de bons resultados na balança comercial brasileira também foram apontados por economistas como indicadores positivos no começo deste ano.
Jason Vieira, da GRC Visão, ressaltou que as principais economias do mundo apresentaram crescimento nos primeiros três meses de 2006. Ele citou como exemplo a expansão de 1,7% nos Estados Unidos, de 4,6% na China e de 0,6% na região do Euro, movimentos que favoreceram as compras de produtos brasileiros no exterior.
A balança comercial do Brasil fechou o primeiro trimestre com saldo positivo de US$ 9,346 bilhões, volume 12,5% superior ao mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo do dólar em relação ao real, as exportações cresceram 20,2% na mesma comparação, para US$ 29,388 bilhões.
Ano eleitoral
Vale ressaltar ainda o aumento dos gastos públicos no primeiro trimestre. Os gastos do governo federal cresceram 14,5% nos três primeiros meses de 2006, ano eleitoral, segundo dados do Tesouro Nacional.
Em números absolutos, as despesas da União, da Previdência Social e do Banco Central aumentaram R$ 11,3 bilhões no trimestre e chegaram a R$ 88,879 bilhões no final de março.
‘O primeiro trimestre esteve sob efeito de uma política monetária e fiscal expansionista. O aumento de gastos e o corte dos juros empurraram a economia para frente.’, afirmou Megale.
Analistas do banco de investimentos Credit Suisse Brasil, avaliam, entretanto, que deverá ocorrer uma redução no ritmo da economia no segundo semestre.
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