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Pistoleiros chacinam 5 sem-terras em MG

nov 25, 2004 | Geral

Cerca de 15 pistoleiros encapuzados e fortemente armados atacaram neste sábado um acampamento do MST em Minas Gerais, deixando 5 mortos e cerca de 20 feridos. Os pistoleiros também atearam fogo aos barracos, deixando 100 famílias desabrigadas. Rosseto e Nilmário Miranda foram ao local.

São Paulo – Por volta das 12h deste sábado (20), cerca de 15 pistoleiros encapuzados e fortemente armados atacaram o acampamento do MST Terra Prometida, no Vale do Jequitinhonha, MG, chacinando 5 agricultores e deixando cerca de 20 feridos, dois deles em estado grave. Os pistoleiros, que chegaram ao local atirando, também atearam fogo aos barracos do acampamento, deixando cerca de 100 famílias desabrigadas.

Segundo o MST, o ataque ocorreu no momento em que a coordenação do acampamento estava reunida em um dos barracões, matando no local 4 das vítimas. A quinta morreu já no hospital. Os acampados teriam reconhecido sete dos assassinos como pistoleiros de fazendas da região, e, neste domingo (21), cerca de 300 soldados das policias civil, militar e federal cercaram a área e iniciaram as buscas dos culpados que, segundo relatos, teriam fugido para a Bahia (onde vive o fazendeiro que se diz dono da área) logo após o massacre.

Em entrevista à Agência Carta Maior, o coordenador estadual do MST, Ademar Suptitz, afirmou que três acusados já teriam sido presos. “O massacre criou grande comoção na região, e a cidade de Felizbugo, município ao qual pertence a área, está em choque. O ministro [do Desenvolvimento Agrário] Miguel Rossetto, o Secretário Nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, o presidente do Incra, Rolf Hackbart, o superintendente do Incra do estado e o bispo Dom Luciano Mendes de Almeida foram ao local neste domingo, junto com vários parlamentares. Também vieram para Felizburgo cerca de 500 integrantes do MST de assentamentos e acampamentos da região, para uma grande manifestação e para o enterro das vítimas, que acontece nesta segunda”. Segundo Suptitz, o MST também organizou protestos em Montes Claros e Governador Valadares.

O acampamento Terra Prometida existe há cerca de 2 anos, e ocupa parte de uma fazenda de mais de 2 mil hectares, dos quais 800 são supostamente grilados pelo pretenso proprietário, o pecuarista Adriano Chafik. Ou seja, segundo o Instituto de Terras de Minas Gerais (ITER) e o Ministério Público local, no mínimo este volume de terras é devoluto e pertence ao estado de Minas Gerais, imbróglio jurídico que tem dificultado o processo de desapropriação da fazenda, considerada improdutiva pelo MST.

Desde que o movimento sem terra ocupou a área em 2002, o fazendeiro teria feito uma série de ameaças (registradas pelos agricultores na delegacia de Felizburgo), chegando, segundo o MST, a seqüestrar alguns adolescentes. “A culpa de mais esta chacina é da morosidade da justiça e do Incra do estado, que prometeram acentar 4 mil da 15 mil famílias acampadas em Minas Gerais este ano. Até agora, nem 2 mil receberam terras. Se falou, no inicio deste mês, que este seria um ‘novembro vermelho’. E está sendo, vermelho do sangue de agricultores derramado pela brutalidade do latifúndio”, desabafa Suptitz.

Bloqueio de rodovias

Em comunicado divulgado no meio da tarde deste domingo, o MST anunciou que o movimento e demais organizações ligadas à Via Campesina, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), “indignados com o massacre de sem terra no acampamento Terra Prometida, estão realizando manifestações com bloqueio [das estradas] MG 050 Km 54, perto do posto policial, em Juatuba, da BR 116, em Frei Inocêncio (Rio-Bahia) e da BR 251, em Montes Claros-Salinas”. “A liberdade mineira foi maculada com sangue dos sem terra a mando do latifúndio, pela morosidade do poder Judiciário e cumplicidade do governo Aécio Neves”, prossegue o comunicado, que exige a “imediata prisão, julgamento e condenação do latifundiário Adriano Chafik Luedy”, e dos jagunços que participaram do massacre.

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