Lula comanda pessoalmente as negociações para ter maioria no Congresso, mas não ignora que parte do PT sonha com a volta de José Dirceu à coordenação política.
Lula quer maioria no Congresso e vai pagar o seu preço, dando mais ministérios aos aliados, “sacrificando” o PT.
Depois de muitas avaliações o presidente concluiu que só tem esse caminho para não viver um desgaste que pode ser fatal, também, ao seu projeto político em 2006. O ano que está terminando mostrou-lhe que o jogo político é muito diferente do sindical, mas nem tanto.
O governo reconhece que foi um ano quase perdido em matéria de consolidação: começou com o episódio Waldomiro Diniz e terminou com derrotas eleitorais de expressão como Porto Alegre e São Paulo, ainda que a soma total de votos seja usada como conforto. E, em parte, os insucessos são debitados à falta de apoio e alianças. Feito o diagnóstico, ele próprio entrou em campo.
Na realidade, essas ações tinham começado antes da eleição, mas foram desastrosas. Basta que se recorde aquele jantar em que compareceu o grupo de Antônio Carlos Magalhães, com ele próprio à frente. Desastrosa porque um mês após, julgando-se traído na eleição, ACM está na tribuna como um dos maiores críticos do governo…
Operação com cautelas
Lula aprendeu a lição e por isso agora não só trata com os aliados mas também reduz os poderes (a representação no ministério) de seu PT. Foi o que faltou no entendimento fracassado com Antônio Carlos Magalhães.
O PT não assumiu compromissos e bateu no candidato de ACM, apoiando o PDT em Salvador, não reconhecendo as gestões de Brasília. Em resumo: ignorou o que o presidente negociara.
Por isso, agora, o caminho está sendo delineado em etapas, ora uma boa conversa com o PT e mais adiante com os demais partidos. A única surpresa que persiste é a compensação que setores do seu partido reivindicam. Admitem perder ministérios para alojar aliados, mas querem retomar a coordenação política, ora em mãos do PC do B, através de Aldo Rebelo. E a reivindicação tem nome: José Dirceu.
Em outras palavras, o PT topa o sacrifício de perder posições, mas quer comandar a articulação política. Lula não aceita, quer Dirceu na gerência da administração. Mas…
Um novo encontro
A corrente governista do PMDB trabalhou intensamente ontem para que o maior número de deputados federais compareça ao almoço, hoje, com Lula. É um novo round, depois do jantar com os senadores. Trata-se de uma operação para manter o PMDB vinculado ao Planalto, apesar das manifestações da sua direção partidária e governadores, que anunciaram um projeto que prevê o desligamento com vistas a 2006.
Quem está à frente dessa operação a favor da permanência são os ministros Eunício Oliveira e Amir Lando, que articularam o comparecimento do maior número possível de parlamentares do partido.
A bancada do PMDB na Câmara tem 76 deputados e a preocupação da cúpula governista do partido é garantir a presença de pelo menos 40 deles ao encontro com o presidente.
Temer não briga
A surpresa de toda essa operação, no entanto, ficou por conta do presidente Michel Temer, que não passou recibo, dizendo que o maior número de deputados deve comparecer, pois seria uma descortezia e definiu o encontro como institucional… Resta saber se ele, que é também deputado federal, vai comparecer…
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