As mulheres respondem por quase metade dos 37,2 milhões de adultos contaminados com o vírus HIV no mundo, afirmou um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira. Segundo o documento, esse número chega a 60 por cento na África subsaariana.
Mais de um terço das pessoas infectadas com o HIV na América Latina vivem no Brasil, e as mulheres são cada vez mais afetadas pela Aids no país.
“No início, a epidemia afetou principalmente homens que tinham relações sexuais com outros homens, e depois, os usuários de drogas injetáveis. Mas agora a epidemia se tornou mais heterogênea e a transmissão heterossexual é responsável por uma crescente proporção de infecções por HIV”, disse o estudo referindo-se à doença no Brasil.
“Cada vez mais a cara da Aids é a de jovens e mulheres”, observou a médica Kathleen Cravero, vice-diretora executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids).
O número de mulheres contaminadas pelo HIV aumentou nos últimos dois anos em todas as regiões do planeta. O maior salto foi registrado no leste da Ásia (com 56 por cento), seguido pelo Leste Europeu e pela Ásia Central (ambos com 48 por cento).
Na África subsaariana, três quartos das pessoas contaminadas com idades entre 15 e 24 anos são mulheres.
“Mulheres jovens são quase uma espécie em extinção no sul da África pela Aids”, afirmou Cravero à Reuters.
Muitas mulheres não possuem acesso a escolas ou não podem trabalhar. Elas, com frequência, dependem dos homens e podem não ter como resistir a investidas sexuais ou como pedir que seus maridos e parceiros usem preservativos.
“Em alguns lugares, o principal fator de risco de Aids para uma mulher é que ela permanece fiel a um marido que possui ou possuiu outras parceiras sexuais”, disse o documento da ONU.
As adolescentes estão sendo contaminadas cada vez mais cedo e por homens mais velhos. A violência contra as mulheres também contribuiu para aumentar sua vulnerabilidade à doença.
NOVAS EPIDEMIAS
O relatório anual divulgado pela Unaids e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) antes do Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado em 1o. de dezembro, mostra que o número de adultos e crianças sobrevivendo com o vírus atingiu o auge em 2004, com um total estimado de 39,4 milhões de pessoas. Dois anos atrás, esse número era de 36,6 milhões.
Mais de 3 milhões de pessoas morreram em virtude da Aids neste ano.
Novas infecções aumentaram em quase 50 por cento desde 2002 no leste da Ásia, principalmente devido a epidemias em expansão na China, na Indonésia e no Vietnã.
No Leste Europeu e na Ásia central, houve um salto de 40 por cento nas novas doenças nos últimos dois anos, em especial devido ao aumento no número de contaminações na Rússia e na Ucrânia.
Mas a África subsaariana, onde há 25,4 milhões de pessoas com o vírus, continua sendo a região mais afetada do mundo. Sessenta e quatro por cento de todas as pessoas infectadas no mundo e 76 por cento das mulheres com o HIV estão na África subsaariana.
Embora os gastos no combate à Aids tenham quase triplicado, de 2,1 bilhões de dólares em 2001 para 6,1 bilhões de dólares em 2004, menos de uma em cada cinco pessoas em países mais pobres tem acesso a serviços de prevenção.
Cerca de seis milhões de pessoas precisam de tratamento contra o HIV.
Nesse quesito, o Brasil se destaca entre os países em desenvolvimento. O governo brasileiro continua oferecendo a todos os infectados com o HIV acesso a drogas anti-retrovirais e, dessa forma, aumentou “dramaticamente a expectativa de vida dos pacientes com Aids”, disse o estudo.
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