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Quatro aldeias indígenas sofrem atentados em RR

dez 2, 2004 | Geral

Quatro aldeias indígenas sofreram atentados nas últimas 72 horas dentro da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima. A informação foi divulgada pela Diocese de Roraima e confirmada ontem pela Superintendência da Polícia Federal no Estado.

O clima dentro da reserva permanece tenso enquanto não há uma definição sobre a forma como será homologada a reserva indígena Raposa/Serra do Sol (área de 1,69 milhão de hectares no nordeste do Estado).

Se a demarcação contínua –tirando da área da reserva estradas, plantações e a cidade de Uiramutã– for confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, descontentará arrozeiros e índios favoráveis à presença da população “branca” na área da reserva. Se Lula optar pela demarcação descontínua, descontentará grupos como CIR (Conselho Indígena de Roraima) e Funai (Fundação Nacional do Índio).

Há índios a favor e contra a demarcação contínua. A homologação pelo governo federal aguarda decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ontem, uma força-tarefa com policiais federais, militares e integrantes da Secretaria da Segurança Pública de Roraima se deslocou à região de Normandia (161 km de Boa Vista) para investigar o ataque sofrido por indígenas da comunidade do Jawari, na manhã de terça, quando um índio macuxi foi baleado e as casas da aldeia destruídas. O CIR acusou arrozeiros de terem comandado o ataque.

O presidente da Sodiurr (Sociedade de Defesa dos Índios de Roraima), Silvestre Leocádio, contrário à homologação contínua, disse que o choque entre indígenas na aldeia Jawari aconteceu após invasões à aldeias feitas por índios ligados ao CIR.

Também houve ataques em outras três comunidades indígenas (Brilho do Sol, Homologação e Retiro do Inskiran), segundo nota divulgada pela Diocese de Roraima. Os habitantes das aldeias atacadas são favoráveis à homologação contínua da terra indígena.

“Constatamos na Jawari que as casas foram derrubadas, com o uso de tratores. O poço que dá acesso à água para os moradores também foi destruído”, disse o superintendente interino da Polícia Federal em Roraima, Osmar Tavares de Melo. Outras casas da aldeia foram incendiadas.

Barreiras montadas

Após à ida à aldeia Jawari, a força-tarefa se deslocou para a região de Uiramutã (334 km de Boa Vista), onde duas barreiras montadas por indígenas rivais na decisão sobre a homologação da terra indígena estão instaladas, a uma distância de cerca de 40 km uma da outra. Naquele ponto está localizado o principal foco de conflito entre os indígenas.

Na barreira montada por índios contrários à homologação contínua, a Polícia Federal conseguiu a liberação de cerca de 20 pessoas que estavam impedidas de prosseguir viagem. Em uma outra barreira, os índios ligados ao CIR (e favoráveis à homologação contínua da área) entregaram um documento no qual “se comprometem a permanecer no local enquanto os invasores [arrozeiros] não forem retirados da terra indígena”.

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