Fique por dentro

Referendo: líderes católicos e evangélicos dizem SIM ao desarmanento

out 20, 2005 | Geral

A seis dias do referendo que decidirá sobre a proibição do comércio de armas e munição no país, líderes católicos e evangélicos voltaram a conclamar fiéis e toda a sociedade a votar SIM.

Na nota “Diga sim à vida”, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lembra que em apenas um ano, 2002, foram mortas em média 104 pessoas por dia, ou uma pessoa a cada 14 minutos, assassinadas por armas de fogo.

“Como bispos da Igreja Católica e cidadãos, posicionamo-nos a favor da proibição do comércio de armas de fogo e munição. Conclamamos os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a votar sim neste referendo”, diz a nota da CNBB.

Pastores e lideranças evangélicas também divulgam sua mensagem com um manifesto em favor da vida. Leia abaixo as duas mensagens:

1) Carta dos bispos em favor do “sim”:

Notícias de violência e morte invadem diariamente nossos lares através dos meios de comunicação social. O porte e o uso indiscriminado de armas de fogo transformam, muitas vezes, conflitos banais em tragédias. Conforme dados disponíveis, em um ano (2002), foram mortas 38.000 pessoas, em média 104 por dia. A cada 14 minutos é ceifada uma vida. O Brasil é o país com o maior índice de assassinatos por armas de fogo.

Muitos pensam que a posse de uma arma é garantia de segurança e proteção. As estatísticas, porém, mostram que, numa situação de assalto, pessoas que usam armas de fogo têm maior probabilidade de serem assassinadas.

Jesus proclama “bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Ele mesmo não se defendeu ao ser preso e condenado à morte, mas disse a Pedro: “Guarda a espada na bainha! Pois todos que usam a espada pela espada morrerão” (Mt 26,52). Os cristãos, imitando o seu Senhor, buscam a paz desarmando a mente, o coração e as mãos.

A Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2005, com o tema Solidariedade e Paz, incentivou as Igrejas no Brasil a se unirem na oração e na promoção da cultura de paz.

Um gesto concreto sugerido pela Campanha é a participação no Referendo do próximo dia 23 de outubro, quando o povo é convocado a pronunciar-se sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição em todo o território nacional.

Com o Referendo, somos chamados a contribuir ativamente na consolidação das instituições democráticas. Será uma ocasião histórica para o exercício da soberania popular através do voto.

Como bispos da Igreja Católica e cidadãos, posicionamo-nos a favor da proibição do comércio de armas de fogo e munição. Conclamamos os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a votar SIM neste Referendo.

Proibir o comércio e o uso de armas é um passo decisivo, mas não suficiente. Somos contrários a todo e qualquer tipo de violência. Além da melhoria da Segurança Pública, é indispensável educar para a paz e a defesa da vida, através de práticas de não-violência ativa.

2) Manifesto de pastores e lideranças evangélicas pelo SIM no referendo:

Vivemos um tempo de banalização da violência e desvalorização da vida. A criminalidade violenta, que se alimenta da injustiça social e da ineficácia das instituições policiais e penais, e o uso desmedido da arma de fogo em conflitos banais entre parentes, vizinhos e conhecidos, assim como os acidentes e suicídios, vitimizam quase 40 mil pessoas por armas de fogo anualmente. Essa triste realidade torna nosso país o campeão das estatísticas de homicídios por armas de fogo no mundo.

Contra toda a desesperança e o medo que imobiliza nossas comunidades, testemunhamos a favor da vida e da paz, declarando que somos pelo SIM no referendo de 23 de outubro.

Fazemos isso porque Jesus, o Príncipe da Paz (Is 9.6), nos ensinou a anunciar o evangelho que reconcilia os seres humanos e transforma relações de ódio, rancor e inimizade em vínculos de paz, perdão e amor (Rm 5.18,19; Ef 2. 14-17; Cl 3.13,14). Ele mesmo declara: “bem-aventurados os que promovem a paz”, os que trabalham para que a paz prevaleça sobre a violência (Mt 5. 9). Fazemos isso, também, porque é o próprio Deus que nos ordena a procurar a paz da cidade e orar por ela (Jr 29.7). E o apóstolo Tiago, discorrendo sobre a sabedoria de Deus, nos adverte que “o fruto da justiça semeia-se na paz para os que promovem a paz” (Tg 3. 18).

Sabemos que a proibição do comércio de armas de fogo e munição não significa a solução final para o problema da violência no país. A reforma de nossas instituições e a superação de nossas desigualdades num contexto democrático requer participação da sociedade e empenho do Estado. No entanto, a Campanha do Desarmamento já começa a demonstrar resultados com mais de 5.500 vidas poupadas em 2004, segundo a Unesco. Nesta tarefa de construção da paz, continuaremos comprometidos, até que o reino de justiça e paz, inaugurado por Jesus Cristo — o Deus desarmado que se entregou voluntariamente — se estabeleça completamente.

Na plena convicção de que, ao nos desarmarmos, estamos seguindo o exemplo de Cristo, convocamos a todos os evangélicos brasileiros a votarem SIM no referendo de 23 de outubro e testemunharem a favor da Vida e da Paz para um Brasil mais seguro.

admin
admin

0 comentários