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Salário mínimo vai a R$ 260; Veja a repercussão pelo Brasil

abr 29, 2004 | Geral


Brasília – O vice-líder do Governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) disse nesta quinta-feira, ao comentar o reajuste do salário mínimo para R$ 260, que “ninguém deve estar feliz com esse aumento, nem o presidente Lula. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso”.

Albuquerque, no entanto, elogiou o aumento do salário família, que passou de pouco mais de R$ 13 para R$ 20. “Isso dá uma folga para as famílias mais pobres, que têm filhos menores e que vivem em dificuldades. Acho que é uma medida compensatória, enquanto o aumento do salário mínimo seria uma medida mais definitiva. Compreendemos o reajuste, mas tristes todos estamos, gostaríamos de um aumento maior”.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), criticou o aumento do mínimo de R$ 240 para R$ 260. “Infelizmente temos um governo que continua sem política para o salário mínimo, que é definido em função do que resta no Orçamento e do que é compatível com a estabilidade fiscal e necessidades da previdência”.

O líder do PFL, deputado José Carlos Aleluia (BA), também condenou o novo salário mínimo. “Essa é mais uma pilastra de sustentação da imagem do presidente Lula que desaba”. Segundo Aleluia, o presidente não foi capaz nem mesmo de dar a correção da cesta básica. “Esse novo valor frustra a todos, até mesmo ao presidente, porque ele reconhece a incapacidade do governo de que não está conseguindo manter o poder de compra do trabalhador”.

Para o vice-líder do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ), esse aumento “é uma tragédia do compromisso assumido pelo presidente de dobrar o valor do salário mínimo”. Paes afirmou que o salário mínimo é o principal instrumento de combate à pobreza. Segundo ele, o PSDB dispõe de estudo que mostra que o salário mínimo atinge 22 milhões de brasileiros, enquanto que o salário família atinge apenas seis milhões.

O líder do PCdoB, deputado Renildo Calheiros (PE), também criticou o aumento. “Acho o aumento muito baixo. Tínhamos expectativa de que teríamos um valor maior”. Ele reclamou uma política permanente para o salário mínimo para não ficar discutindo o assunto a cada ano.

Repercussão

CNBB

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Majella Agnelo, disse em Itaici, no município de Indaiatuba (SP), que o novo valor do salário mínimo mantém inalterada a situação de dificuldades da população brasileira. “O povo permanece do mesmo modo, com fome, sem emprego e com a remuneração que não lhe dá a possibilidade de um crescimento. Enquanto isso, há essa preocupação tão grande de não deixar os credores perderem seus ganhos, mas e o nosso povo, onde fica?”, afirmou o bispo.

Fiesp

O novo valor do salário mínimo é um “sopro” no crescimento do consumo do país, principalmente em pequenos municípios, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Do ponto de vista do consumo, auxilia. Não muito, mas algum impacto vai ter. É mais um sopro”, disse Cláudio Vaz, diretor da entidade.

CNI

O presidente da Confederação Nacional da Industrial (CNI), Armando Monteiro Neto, qualificou de “responsável” a elevação do salário mínimo de R$ 240,00 para R$ 260,00.

“A fixação do salário mínimo traduz mais uma vez a responsabilidade do governo no trato de questões muito sensíveis do setor público, como as contas da Previdência Social e o orçamento de muitas prefeituras”, disse. Para Monteiro, a decisão do governo é compatível com a realidade fiscal do país.

Monteiro enfatizou que “não se pode colocar a estabilidade em risco porque, quando isso acontece, quem paga a conta da inflação alta é o trabalhador”. Ele lembrou que o valor do mínimo não interfere tanto na indústria, porque a maioria das empresas já paga aos seus empregados vencimentos superiores a R$ 260.00.

Fiergs

O coordenador do Conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Ayrton Giovanini, disse que “o reajuste do salário mínimo ocorreu dentro das expectativas de sensatez e responsabilidade que se espera de um governo”. Ele explicou que os salários pagos pela indústria do estado são superiores aos R$ 260 que vigorarão a partir de 1º de maio.

Segundo Giovaninni, o salário mínimo afeta a economia em geral por estar relacionado às aposentadorias e pensões e folha de pagamento de prefeituras. “Se fosse reajustado acima do que a Previdência e os municípios podem suportar, imporiam às empresas mais impostos ou menores prazos para o seu recolhimento. Como essas despesas seriam repassadas aos preços das mercadorias, quem estaria pagando a conta da irresponsabilidade seria a própria sociedade”, pondera o empresário.

CUT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou insuficiente o aumento anunciado para o salário-mínimo, já que ele não possibilitará o atendimento das necessidades da população, principalmente aquela que recebe de um a dois salários.

Segundo nota oficial, “a Central Única dos Trabalhadores considera lamentável o valor fixado pelo governo para o salário mínimo, de R$ 260,00. Os 1,4% de aumento real concedidos significam praticamente nada no bolso daqueles que sobrevivem desta remuneração (considerando-se estimativa de INPC de 6,84% de abril de 2003 a abril de 2004)”.

“Esse debate do salário mínimo é um debate hipócrita, porque o Congresso já aprovou os gastos do orçamento da União. Nós discutimos as migalhas que sobraram do orçamento”, disse o tesoureiro-geral da CUT, Jasy Afonso.

A CUT pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na última sexta-feira, que cumprisse a proposta do governo de dobrar o salário mínimo em quatro anos. No momento, a Central Única dos Trabalhadores queria que o salário fosse aumentado para R$ 300. “Nós temos que reconhecer que o aumento que defendemos está além da inflação. Apesar de ser um avanço porque estaria reajustando acima da inflação, ainda assim seria insuficiente”, argumenta Jasy Afonso.

A CUT pretende, para 2005, lutar para que o valor do mínimo seja determinado antes da votação do Orçamento Geral da União. A Central espera que o governo sinalize que o mínimo possa chegar aos R$ 1.400 determinados pelo DIEESE, a longo prazo. A CUT não acredita que o governo possa cumprir a promessa de dobrar o salário-mínimo, se não mudar a forma com a qual está sendo feita a evolução do salário.

(Iolando Lourenço)

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