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Senadores petistas criticam Suplicy

jun 2, 2005 | Geral

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), acusado de trair colegas do partido também interessados em assinar a CPI dos Correios, foi alvo de reprimenda pública no plenário do Senado nesta segunda-feira.

O líder do partido, senador Delcídio Amaral (MS), deixou a liturgia de lado e reclamou do colega diante de uma platéia de maioria oposicionista.

“Meu caro Suplicy, que decepção”, afirmou.

Por assinar o requerimento da criação da CPI na quarta-feira passada, o senador paulista foi acusado de fazer “marketing” pessoal num momento político difícil para o governo.

Ele havia combinado com outros cinco senadores petistas de apoiar o requerimento de criação da CPI, mas só o fariam meia hora antes do tempo limite para a coleta de assinaturas e se a inclusão dos nomes não inviabilizasse o esforço do Planalto para evitar a investigação parlamentar.

Mas três horas antes do prazo final, Suplicy se adiantou e, sozinho, deu seu aval ao documento. Chorando, disse que sua atitude era pelo partido e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a justificativa não convenceu os outros senadores.

“Gostaria de não fazer esse debate aqui da tribuna, mas não há clima para fazer internamente na bancada”, afirmou Delcídio, acrescentando que a idéia era discutir o assunto numa reunião do partido, mas foi o próprio Suplicy que levou o problema para o plenário da Casa.

O PT havia recomendado, por meio de uma resolução aprovada pelo Diretório Nacional, que os petistas não assinassem a CPI, mas não houve fechamento de questão, o que deixou livres os parlamentares.

CENA PREMEDITADA

Outros senadores também expuseram sua decepção com a “quebra de confiança” de Suplicy.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) fez o discurso mais duro. Disse que o episódio de assinatura de apoio à CPI foi uma “cena construída” e “premeditada” para ficar bem com a opinião pública, mesmo que isso afrontasse uma decisão do partido e significasse o rompimento do acordo.

“Eu assumo a responsabilidade pelos meus atos. Eu o fiz para o bem do PT e da minha bancada, sobretudo para o bem do presidente Lula e de seu governo”, reagiu Suplicy, com a voz embargada, no plenário. Para defender-se das críticas, ele citou Adolf Hitler, dizendo que o ditador foi apoiado pela maioria do povo alemão.

“Há ocasiões da história em que mesmo a maioria pode errar”, acrescentou, afirmando que não estava comparando Lula ao ditador.

ROUPA SUJA

Enquanto os petistas criticavam o companheiro, o senador da oposição, Heráclito Fortes (PFL-PI), gesticulava, fazia piadas, e ironizava o partido adversário por “lavar roupa suja” na frente de todos.

“É a inauguração da lavanderia do PT. Nesse caso, eu entro com o OMO para ajudar”, ironizou o senador.

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