Fique por dentro

SP inaugura comitê de combate ao racismo

jul 29, 2004 | Geral

Orgão será responsável por capacitar profissionais do serviço social para combater discriminação e pelo monitoramento da execução das políticas públicas da área. Dia 28 começa 1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de SP.

São Paulo – São Paulo tem o maior número absoluto de negros do Brasil. São mais de 3 milhões de pessoas, total superior ao encontrado no Rio de Janeiro (2,4 milhões) e em Salvador (1,8 milhão), capitais em que a população negra tem maior peso relativo. Para ajudar a garantir os direitos de tanta gente, a capital paulista conta desde esta sexta-feira (23) com um comitê de combate ao racismo, criado pela sociedade civil com o objetivo de executar as ações da Campanha Nacional de Combate ao Racismo no Estado de São Paulo.

Lançada em setembro do ano passado pelos Conselhos Federal e Regionais de Serviço Social, em parceria com a Organização de Mulheres Negras Fala Preta!, a campanha tem três objetivos principais. O primeiro deles é a formação e a capacitação dos profissionais do serviço social para combater todo tipo de discriminação. Outra meta é a organização e articulação das diversas etnias – negros, judeus, índios, ciganos – e das entidades desses segmentos para uma luta coletiva. O terceiro objetivo é monitorar a execução das políticas públicas existentes na luta pelo combate ao racismo e garantir a inclusão de ações afirmativas nas políticas que forem elaboradas.

Para isso, o Comitê Paulista de Combate ao Racismo terá entre suas tarefas a organização de cursos e debates, a realização de parcerias com outras entidades, a participação na apuração de casos de racismo e o acompanhamento das políticas públicas locais relacionadas à questão. Caberá também ao comitê fazer denúncias de casos de discriminação racial. São Paulo é o primeiro Estado a lançar seu comitê. A proposta da campanha é que cada Estado possua um.

“A campanha tem o intuito de diminuir a desigualdade social e o racismo. Ela é destinada para toda a sociedade, mas está dentro do recorte do serviço social”, afirma Maria Inês da Costa, vice-presidente do Conselho Regional de Serviço Social-SP (Cress-SP) e coordenadora do núcleo de combate ao racismo da entidade.

Além do Cress-SP e da Organização de Mulheres Negras Fala Preta!, também fazem parte do comitê paulista a Faculdade de Serviço Social da PUC-SP, a assessoria de gênero e etnia da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, a União Israelita de Bem Estar Social (Unibes) e o Centro Pastoral do Imigrante de São Paulo, entre outras entidades.

Na agenda do dia

No mesmo dia em que a sociedade civil inaugurou um comitê de combate ao racismo, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial para Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República, esteve em São Paulo para lançar oficialmente a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. A conferência acontece em Brasília, entre os dias 11 e 13 de maio de 2005, após uma série de encontros municipais, regionais e estaduais preparatórios, que elegerão os delegados para a posterior reunião na capital federal. O tema da conferência do ano que vem é “Estado e Sociedade Promovendo a Igualdade Racial” e o objetivo é elaborar políticas que reduzam as desigualdades raciais no campo econômico, social, político e cultural. A 1ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo começa na próxima quarta-feira (28).

Neste sábado (24), a Coordenadoria Especial dos Assuntos da População Negra (Cone) também promove o I Seminário Evidência Negra Jovem, que pretende dar visibilidade às manifestações da juventude negra. O encontro terá apresentações culturais e artísticas e mesas temáticas sobre políticas públicas, violência urbana, mídia, organização negra, movimento Hip-Hop e moda.

admin
admin

0 comentários