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Valter Pomar contesta reportagem do jornal O Estado de S.Paulo

mar 16, 2006 | Geral

O secretário de relações internacionais do PT, Valter Pomar, enviou nesta quinta-feira (8) uma carta ao jornal O Estado de S.Paulo em que contesta as afirmações feitas pela jornalista Vera Rosa na reportagem “PT prega intervenção no Banco Central”. Confira a carta escrita por Pomar:

Prezada Vera Rosa,

A matéria assinada por você e publicada no jornal O Estado de S. Paulo, nesta quinta-feira, dia 9, afirma que “documento reservado do PT sobre Conjuntura, Tática e Política de Alianças para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prega a intervenção no Banco Central num eventual segundo mandato petista, que terá o desafio de construir “um Brasil pós-neoliberal”.

Ocorre, em primeiro lugar, que o documento em questão é, até o momento pelo menos, o ponto de vista de um grupo de trabalho. Portanto, não expressa o ponto de vista de uma pessoa, tampouco do conjunto do partido. Só no dia 18 e 19 ele será debatido e votado, certamente com várias emendas, pelo Diretório Nacional do PT.

Em segundo lugar, no que diz respeito ao Banco Central, o documento defende que mude o sistema de metas. Hoje, este sistema é baseado em metas inflacionárias, somente. Propomos que as metas passem a ser de crescimento, de emprego e também inflacionárias.

Estas metas teriam que ser debatidas e implementadas, respectivamente, pelo Conselho Monetário Nacional, Copom e BC.

Denominar esta alteração de “intervenção” –como faz a matéria, sem suporte algum no documento– serve apenas para deslocar o foco da discussão. Até porque o governo eleito, quando quer, não “intervém”, ele determina.

Em terceiro lugar, a matéria trata como proposta algo que é uma resolução partidária, a saber: a crítica aos juros altos e ao tamanho do superávit primário. Isto foi objeto de debate e deliberação na reunião que o Diretório Nacional do PT fez em dezembro de 2005.

Vale dizer que muitos integrantes do Diretório Nacional consideram que a Carta ao Povo Brasileiro, de junho de 2002, não fundamenta, não explica, nem justifica o excesso de ortodoxia na condução da politica monetária e fiscal.

Em quarto lugar, a matéria equivoca-se ao dizer que a proposta “preferencial” do documento é de “coligação no primeiro turno com partidos de esquerda (PCdoB e PSB)” e “alianças sociais com movimentos e setores democráticos”. Na verdade, o documento apresenta uma tripla alternativa, sem manifestar preferência por nenhuma delas.

Finalmente, registro que a síntese feita dos documentos, num box que leva como título “Trechos dos documentos reservados do Partido”, contém várias imprecisões que distorcem, às vezes de maneira acentuada, o que é dito nos textos originais.

Atenciosamente

Valter Pomar

admin
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