Observadores como Jimmy Carter e Cesar Gaviria já reconheceram a vitória de Hugo Chávez no referendo. O governo dos EUA fez o mesmo. Mas a oposição insiste na tese da fraude. Para afastar as dúvidas, autoridades eleitorais venezuelanas selecionaram uma amostra e iniciaram nesta quinta a recontagem manual dos votos.
Caracas – A recontagem manual de votos do referendo revogatório, que terminou com a vitória do presidente Hugo Chávez, começará nesta quinta (19) na Venezuela. Setores da oposição do país insistem que houve fraude, apesar de observadores internacionais antes apoiados pelos opositores, como o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e César Gaviria, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, terem afirmado que o pleito foi limpo.
Para acabar com as dúvidas, autoridades eleitorais venezuelanas selecionaram quarta (18) por sorteio uma “amostragem aleatória” de 150 mesas eleitorais, a serem objeto de recontagem manual. A apuração oficial do referendo, realizado em 15 de agosto, deu a Chávez 59% dos votos para que continue no cargo até 2006, contra 40,7% contra.
“Não temos motivos para por em dúvida a integridade do processo eleitoral ou a precisão dos resultados do referendo anunciados pelo Conselho Eleitoral. Mas, para eliminar algumas preocupações da oposição sobre a exatidão com que as máquinas de votação registraram a votação, as missões de observação internacional da OEA e do Centro Carter propuseram ao CNE uma auditoria adicional”, afirmou Jimmy Carter.
“Não temos nenhuma dúvida de que houve uma fraude colossal e vergonhosa, e estamos documentando as provas”, insistiu em uma coletiva o dirigente Jesús Méndez Quijada, do partido Ação Democrata. A postura da oposição de negar a vitória de Chávez tem se mantido, mesmo após o governo dos EUA, que apóiam a oposição, terem reconhecido que o presidente Chávez “recebeu o apoio da maioria dos eleitores”, com disse o porta-voz da Chancelaria norte-americana, Adam Ereli.
Méndez Quijada defendeu que Chávez deve “deixar o cargo” até que as dúvidas que eles têm sobre o referendo sejam eliminadas. Enrique Mendoza, da aliança da oposição Coordenadoria Democrática, disse ainda que continuará lutando pela impugnação do referendo, e que pedirão outro, depois que apresentarem provas contundentes da suposta fraude.
Os principais meios de comunicação da Venezuela continuam fazendo coro com a oposição. O consultor político antichavista J. J. Rendón apresentou em programa da televisão privada Globovisión comprovantes de votação emitidos pelas máquinas de votação em uma província local que, no seu julgamento, revelam “irrefutáveis” irregularidades. “Isso está muito bem montado”, disse Rendón, afirmando que houve “uma fraude eletrônica” no software das máquinas de votação.
Em resposta às acusações, o vice-presidente José Vicente Rangel afirmou: “Revisem tudo, façam todas as auditorias que queiram (nas máquinas e seus softwares) porque não temos nada a temer”. Mas Rangel não deixou de criticar a oposição, qualificando-a de “irracional e decepcionante por se ater obstinadamente a idéia de fraude”. Ele ainda cobrou que os opositores cumpram sua palavra de aceitar os resultados do referendo se Carter e Gaviria o fizessem, o que acabou ocorrendo.
0 comentários