A Venezuela e os Estados Unidos decidiram negociar “questões delicadas” a fim de melhorar suas relações bilaterais, após várias semanas marcadas por trocas de insultos entre os dois governos, disse a chancelaria em Caracas na sexta-feira.
A declaração foi divulgada após reunião, na noite de quinta-feira, entre o chanceler Ali Rodríguez e o embaixador norte-americano William Brownfield. Foi a primeira vez que o diplomata se reuniu com uma autoridade de primeiro escalão desde que assumiu o cargo, há seis meses.
“Concordamos que há questões delicadas sobre as quais devemos trabalhar, pouco a pouco, para melhorar as relações o quanto for possível”, disse Rodríguez em nota à imprensa. Ele prometeu maior cooperação em áreas como energia, combate ao narcotráfico e contra-terrorismo.
Os Estados Unidos são importantes compradores do petróleo venezuelano, mas os dois países vêm se distanciando desde que o esquerdista Hugo Chávez chegou ao poder, em 1998.
Autoridades norte-americanas em Caracas disseram que Brownfield vinha tentando se reunir com ministros desde que chegou ao país, em setembro,
Chávez, aliado incondicional do regime comunista cubano, considera a sua “revolução bolivariana” como uma alternativa às políticas dos EUA. Seus admiradores afirmam que ele está modificando a estrutura social do país ao distribuir aos pobres os lucros do petróleo, produto do qual a Venezuela é o quinto maior exportador do mundo.
O presidente acusa a Casa Branca de ter apoiado a tentativa de golpe contra ele, em 2002, e de agora tentar matá-lo. Washington, que qualifica as acusações como ridículas, afirma que Chávez, um ex-militar que tentou um golpe em 1992, é uma força desestabilizadora na América Latina. Autoridades norte-americanas o acusam de perseguir adversários e de enfraquecer a democracia.
Após semanas acusando os EUA de um complô para matá-lo, Chávez recuou na quinta-feira, ao dizer que quer manter o fornecimento de petróleo aos EUA e que aceita investimentos norte-americanos no setor.
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