Uma estudante muçulmana cedeu à proibição de véus islâmicos em escolas públicas francesas. Ao voltar às aulas, na sexta-feira, ela decidiu tirar o véu e mostrar a cabeça completamente raspada em sinal de protesto.
“Eu respeitarei tanto a lei francesa quanto a lei muçulmana tirando o que tinha sobre a cabeça e não mostrando meu cabelo”, disse Cennet Doganay, de 15 anos, em frente à sua escola em Estrasburgo, no leste da França.
“Eu respeito a lei, mas a lei não me respeita.”
Desde setembro Cennet estava impedida de entrar na sala de aula e era mantida em uma sala de estudos, enquanto funcionários da escola negociavam sua volta à classe sem o véu. Na sexta, eles deixaram que ela voltasse ao Liceu Louis Pasteur e não fizeram declarações aos jornalistas.
Cerca de 120 estudantes em toda a França insistiram em manter seus véus quando as aulas recomeçaram, em 2 de setembro, e uma proibição a qualquer símbolo religioso foi imposta. Muitas estão sendo ameaçadas de serem expulsas das escolas.
Paris aprovou a medida para conter a crescente influência islâmica entre uma pequena minoria dos seus cinco milhões de franceses muçulmanos. O governo também baniu quipás judaicos e grandes cruzes cristãs.
“No dia em que ela raspou sua cabeça, eu não concordei, eu chorei”, disse o pai de Cennet, o curdo Hikmet Dogany, à Reuters.
Segundo autoridades escolares, apenas 19 meninas continuavam insistindo em usar véus na região de Estrasburgo. (Reportagem de Gilbert Reilhac e Tom Heneghan)
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