As eleições municipais de domingo foram uma vitória para o Partido dos Trabalhadores (PT), na avaliação da professora Wendy Hunter, do Instituto Kellogs da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.
Segundo os resultados preliminares, o PT quase dobrou o número de prefeituras em relação às eleições de 2000, vencendo a disputa em seis capitais, no primeiro turno, e indo para o segundo turno em outras nove.
Wendy, que escreve um livro sobre o PT, disse que a vitória nas eleições municipais é “mais do que simbólica” porque dá a Lula “um pouco de espaço para fazer reformas e para governar”. “Ele vai poder governar com mais liberdade”, comentou.
De acordo com a professora, ainda é muito cedo para avaliar se a performance do partido pode causar reflexos nas eleições presidenciais de 2006, mas – caso ganhe nas grandes capitais – o partido “aumentaria muito suas chances”.
Decepção
Para a professora do Instituto Kellogs, o partido do presidente Lula ainda precisa ganhar o pleito em São Paulo – a “casa do PT”.
A vitória de José Serra (PSDB) no primeiro turno foi, segundo Wendy, “surpreendente e decepcionante” para o partido de Lula em meio às “altas expectativas”.
De acordo com a acadêmica, a prefeita Marta Suplicy (PT) “propiciou bons serviços, em vários sentidos, mas não foi um milagre” capaz de atrair votos.
“O governo investiu muito na imagem e em termos financeiros. Perder São Paulo significa não sair na melhor posição possível para governador ou presidente em 2006 simplesmente pelo tamanho do colégio eleitoral”, disse.
Sobre a previsão de que o PT poderia conquistar 500 prefeituras nas eleições, a professora do Instituto Kellogs afirmou que “essa expectativa não era realista”.
Polarização
Wendy diz acreditar ainda que a tendência de polarização entre o PT e o PSDB, reforçada nas eleições, é “irônica”.
“Eles deveriam ser como amigos políticos em termos ideológicos, já que são mais próximos em vários sentidos, mas a lógica política dominou.”
Daí a necessidade de fazer alianças partidárias, que, para a analista, “comprometem a agenda, porque o PT vai ter que mudar para o centro ainda mais para ganhar mais de 50% nas várias cidades onde vai para segundo turno”.
No entanto, Wendy Hunter afirma que é um “exagero” as críticas de que o PT estaria deixando de ser de esquerda.
Em relação à perda de prefeituras pelo PFL, a professora diz que isso é resultado de uma mudança do eleitorado brasileiro na escolha de seus candidatos.
“O PFL é uma maneira de fazer política fisiologista. Então, essa derrota não é totalmente surpreendente”, afirmou.
“Outra coisa é que, pela primeira vez, o PFL não está no poder no nível nacional, e isso influencia muito na capacidade de ganhar nas pequenas cidades e, basicamente, o PFL não tem a máquina que tinha no passado.”
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