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‘Dá para ser progressista dentro do conservadorismo’, diz José Dirceu à Executiva do PT

nov 6, 2003 | Geral

Brasília – Em duas horas e meia de conversa com a Executiva Nacional do PT, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse que o governo Lula terá de partir para uma agenda de desenvolvimento mais ousada em 2004, se quiser combater o alto índice de desemprego. Dirceu voltou a defender taxas de juros mais baixas. Argumentou que pagar 10% de juro real ainda é “um sacrifício muito grande” para o País.

“Vamos ter de optar por uma política econômica conservadora dentro do conservadorismo ou por uma política progressista dentro do conservadorismo”, disse ele, de acordo com relato de três petistas presentes à reunião de ontem, que também decidiu adiar a expulsão dos parlamentares radicais para 13 e 14 de dezembro.

Dirceu acrescentou: Dá para ser progressista dentro do conservadorismo.” “O ministro quis dizer que há condições para flexibilizar mais, mas não há milagre à vista nem solução bombástica”, afirmou o presidente do PT, José Genoino. “Como fomos vitoriosos nestes 10 meses de governo, podemos avançar mais na agenda de desenvolvimento.”

Genoino destacou que o PT defende “uma política mais ofensiva” do governo para permitir a criação de empregos.
“Agora devemos ter uma agenda voltada para o crescimento econômico.”

Para o deputado Jorge Bittar (RJ), secretário-geral do PT e relator do Orçamento, exposição de Dirceu deixou claro
que haverá “ajustes” para retomar o investimento e amenizar o desemprego, uma das maiores preocupações do Planalto.

“O limite de endividamento do setor público certamente será flexibilizado no acordo com o Fundo Monetário Internacional”, afirmou.

“E vamos torcer para que Banco Central dê maior velocidade na redução dos juros, pois isso é fundamental.”
Nem mesmo os petistas sabem, porém, como será a agendade desenvolvimento. Falam no que já foi anunciado, como microcréditos e Parceria Público- Privada, na tentativa de atrair recursos para obras de infra-estrutura, comorodovias e saneamento.

“Para gerar empregos, também é preciso intensificar investimentos em micro e pequenas empresas”, lembrou Bittar.
“Além disso, queremos imprimir mais as marcas doPT no governo para dar ênfase às políticas sociais, como saúde, educação e reforma agrária.”

Radicais – A resolução sobre balanço do governo Lula será divulgada na reunião do Diretório Nacional, remarcada para 13 e 14 de dezembro. O encontro estava previsto para os dias 15 e 16 deste mês, mas foi adiado, como antecipou o Estado, porque o PT ainda espera votação da reforma da Previdência no Senado.

Se a senadora Heloísa Helena (PT-AL) votar contra a reforma, como vem anunciando, será expulsa na reunião do Diretório petista, juntamente com os deputados Luciana Genro (RS), João Batista de Araújo (PA) e João Fontes (SE).
Para Bittar, ficou claro que haverá ajustes.

(Vera Rosa)

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