Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra promove ocupações e protestos em vários estados. Ministro Miguel Rossetto diz que metas para 2004 estão sendo cumpridas e que intensificação das ocupações não se justifica.
Porto Alegre – Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) ocuparam, na manhã desta quarta-feira (10), o centro tecnológico do Ministério da Agricultura no município de Sarandi, na região norte do Rio Grande do Sul. Cerca de 450 agricultores, que estavam acampados em duas áreas da região, chegaram ao centro de 180 hectares, localizada às margens da BR-385, logo no início da manhã. Trata-se da primeira ação de ocupação no Rio Grande do Sul após o anúncio, por parte da coordenação nacional do MST, do “novembro vermelho”, que prevê uma série de ocupações em todo o país. E elas já começaram, em vários estados.
O centro tecnológico federal de Sarandi é um laboratório de referência animal, que desenvolve vacinas principalmente contra a febre aftosa. No local, também há uma plantação de milho e rebanho bovino. A maior preocupação dos administradores do centro é com o material de pesquisa que está estocado na área. No início da tarde, o Ministério da Agricultura ingressou, na Justiça de Porto Alegre, com um pedido de reintegração de posse da área ocupada.
Pressão e ocupações
Líderes do MST voltaram a alertar o governo federal nesta quarta sobre a intensificação das ocupações de terra em todo o país durante o mês de novembro. Em reunião com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, a direção do MST disse que a estratégia é semelhante àquela adotada durante o “abril vermelho”, mas ressaltaram que ela não deve ter a mesma intensidade do movimento do primeiro semestre, quando as ocupações de terra aumentaram significativamente no país. Os sem-terra pediram o aumento de recursos para a reforma agrária e o cumprimento da meta de assentar 115 mil famílias até o fim deste ano. O ministro Miguel Rossetto respondeu que já tem asseguradas terras para o assentamento de 92,7 mil famílias e destacou que, até outubro, 66 mil famílias tiveram seu processo de assentamento concluído. As 26,7 mil restantes já estariam com suas terras garantidas, disse Rossetto.
Durante a reunião foram entregues para as lideranças do MST quatro volumes com a lista das 50,6 mil famílias que já estão nas listas de beneficiários da reforma agrária. Outras 15,4 mil estão na terra em processo de legitimação. Segundo dados do Incra, existe a possibilidade de assentar mais 12 mil famílias, pelo menos, caso seja aprovada suplementação orçamentária para a reforma agrária. Aparentemente, esses números não sensibilizaram a direção do movimento.
Além da ocupação do centro tecnológico federal no RS, ações semelhantes estão ocorrendo em outros estados. Ainda na terça-feira, cerca de 500 integrantes do MST ocuparam a subestação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco, em Delmiro Gouveia, na Bahia. Uma fazenda foi ocupada em Pernambuco e um grupo de agricultores ocupou o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Goiânia. No Ceará e no Mato Grosso do Sul, os sem-terra também realizaram protestos em frente à sede do instituto.
Movimento não se justifica, critica Rossetto
O ministro Miguel Rossetto criticou a estratégia do movimento dizendo que não há justificativa para a intensificação das ocupações de terra em novembro. “Não se justifica. Nós já apresentamos para as lideranças nacionais o resultado muito forte do que fizemos esse ano. São 92.700 mil famílias que já asseguramos para serem assentadas e ainda temos dois meses para o balanço do ano com a expectativa de crescimento ainda do número de famílias assentadas”, argumentou Rossetto.
O governo federal, acrescentou, está trabalhando em todos os instrumentos de política agrícola que garantam renda e apoio à agricultura familiar. Informou ainda que aguarda a aprovação dos créditos suplementares pelo Congresso Nacional para financiar o restante do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Segundo Rossetto, toda a parte financeira já foi executada e o MDA tem uma expectativa positiva quanto à possibilidade de ampliação de recursos. Assegurou por fim, que as metas estabelecida pelo PNRA – assentamento de 115 mil famílias até o final deste ano – estão mantidas e são realizáveis. “Não só as metas que asseguram o assentamentos de famílias, mas a qualificação de um novo modelo de reforma agrária”, declarou.
Marcha dos Sem
Já está definida a programação da 9ª edição da Marcha dos Sem, que este ano tentará unificar as mobilizações nos três Estados da região Sul e estender o movimento para todo o país. No Rio Grande do Sul, a marcha será realizada no dia 26 de novembro, em Porto Alegre, e protestará principalmente contra o governo estadual. A mobilização pretende criticar a falta de investimentos sociais por parte do governo Germano Rigotto e também a política econômica do governo federal. Pela primeira vez, o evento abrangerá também as capitais dos outros dois estados da região Sul. Florianópolis e Curitiba terão marchas simultâneas à de Porto Alegre, um teste para tornar o protesto um movimento de caráter nacional. As três manifestações terão o mesmo slogan: “Por um Brasil soberano, justo e solidário”.
* com informações da Agência Brasil.
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