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Coordenador de programa de governo de Fogaça sabotou FSM

nov 18, 2004 | Geral

Na primeira edição do Fórum Social Mundial, em 2001, uma página com endereço similar a do FSM fez ataques sistemáticos ao movimento. Responsável pela iniciativa, Flávio Presser é hoje um dos principais assessores do futuro prefeito de Porto Alegre, que diz garantir total apoio ao evento (foto).

Porto Alegre – Na primeira edição do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2001, um grupo de políticos e intelectuais críticos do evento, ligados principalmente ao PMDB gaúcho, decidiu criar uma página na internet, com endereço praticamente idêntico ao da página oficial do FSM. Na época, uma matéria do Correio Braziliense (edição de 28 de janeiro de 2001) anunciava o surgimento do “clone” da página do Fórum, com o objetivo explícito de sabotar as idéias do evento: “Os organizadores do Fórum criaram um site na rede, com o endereço www.forumsocialmundial.org.br. Mas quem se esquecer de digitar o .br do endereço vai entrar em outro site – o www.forumsocialmundial.org -, criado pelo Instituto Século XXI. (…) Seu site ataca o Orçamento Participativo e algumas das bandeiras mais vistosas do PT gaúcho, que ofereceu Porto Alegre para quartel-general das forças anti-Davos, a cidade suíça onde se desenrola o Fórum Econômico Mundial”.

A página falsa do FSM teve o seu domínio registrado na Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em nome do Instituto Século XXI, cujo presidente, Flávio Presser, coordenou o plano de governo da campanha do ex-senador José Fogaça (PPS), em Porto Alegre. O mesmo Flávio Presser também registrou na Fapesp, em nome do Instituto Século XXI, ligado ao PMDB, o domínio www.cidadaniaurgente.com.br, que durante o governo Olívio Dutra (1999-2002) atacou sistematicamente o Fórum Social Mundial e o Orçamento Participativo do Estado. Agora, Presser foi indicado por Fogaça para integrar a equipe de transição que vai preparar a passagem do governo do PT na capital gaúcha para a coligação PPS-PTB que venceu as eleições municipais.

Estranhas parcerias

Além de ser um crítico ferrenho do Fórum Social Mundial, Presser foi secretário substituto da Coordenação e Planejamento do governo Antônio Britto e um dos articuladores do processo de privatização que marcou a gestão brittista no Rio Grande do Sul. Sua participação na elaboração do programa de governo de Fogaça e, agora, na equipe de transição, reacende o debate sobre o real compromisso da nova administração municipal com o Fórum Social Mundial e o Orçamento Participativo. Durante a campanha eleitoral, o candidato José Fogaça defendeu o OP e o Fórum como conquistas da cidade que seriam preservadas em seu futuro governo. “Isso fica”, repetiu o ex-senador durante toda a campanha.

No entanto, entre seus assessores mais próximos, estão alguns dos principais adversários destas experiências. Além de Presser, que criou a página “clone” do FSM, nomes como Berfran Rosado e Eliseu Santos (o vice de Fogaça) ficaram conhecidos por uma oposição sistemática e mesmo raivosa contra o OP e o Fórum Social. Eliseu Santos chegou a classificar o FSM como um encontro de “terroristas, traficantes e seqüestradores”. O próprio Fogaça, que hoje defende a manutenção do FSM em Porto Alegre, foi um crítico do Fórum, chegando a classificar o mesmo como uma “Disneylândia ideológica”.

Reunião do Conselho Internacional

É neste ambiente político que o Fórum Social Mundial prepara a realização de sua quinta edição, mais uma vez em Porto Alegre. Neste final de semana, o Conselho Internacional do FSM reúne-se em Porto Alegre para discutir o programa da
quinta edição do evento. Até domingo, mais de 70 representantes de diferentes redes e organizações de vários países discutirão, no auditório do Centro de Professores do
Estado do RS (Cpers-Sindicato), os detalhes finais para a formatação do próximo Fórum, que ocorrerá de 26 a 31 de janeiro na capital gaúcha. O Conselho Internacional é composto por mais de 120 organizações e tem como função principal debater questões políticas gerais, a metodologia do FSM e os rumos do movimento.

Na pauta da reunião de Porto Alegre, está previsto um balanço sobre a nova metodologia para 2005, a discussão sobre os critérios gerais para a finalização do programa e a organização das mesas de diálogos nos diversos espaços temáticos que estruturarão a quinta edição do Fórum. Esse debate terá, como ponto de partida, o balanço das atividades inscritas até o dia 10 de novembro. Até esta data, já foram
inscritas 1.883 atividades propostas por 2.731 organizações de mais de 100 países. Estarão presentes em Porto Alegre organizações da Índia, França, Argentina, Espanha, Bélgica, Portugal e Itália, entre outros países. Também estão marcadas reuniões de vários grupos de trabalho, como os de mobilização, cultura e comunicação.

Inscrições prorrogadas

As inscrições para a realização de seminários, oficinas, painéis e outras atividades durante a quinta edição do FSM foram prorrogadas para o dia 25 de novembro, até às 18h (horário de Brasília). Em função da grande procura, a organização do Fórum decidiu estender o prazo das inscrições por mais alguns dias, permitindo assim que mais organizações participem do evento. As entidades que já inscreveram suas atividades ainda podem modificá-las ou excluí-las até o dia 25. As inscrições podem ser feitas através de um formulário disponível na página oficial do FSM
(www.forumsocialmundial.org.br). As datas e os horários de realização das atividades propostas serão definidas pelo Comitê Organizador do FSM, que adotará como referência a data sugerida pelas entidades proponentes.

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