Mais recursos, ampliação do programa e maior articulação com o governo e com a sociedade civil. Essas são as principais demandas dos coordenadores estaduais do Projeto Sentinela que atende crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Eles estão reunidos nesta quarta-feira (17) em Brasília para discutir melhorias para o programa.
Por meio do Sentinela, 315 municípios de 26 estados recebem recursos para implantar centros de atendimento a crianças, adolescentes e famílias vítimas de violência sexual. Segundo o ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, são atendidos em média 20 mil famílias e 24 mil crianças e adolescentes por ano.
A abrangência limitada do programa é uma das principais reclamações. A coordenadora do programa Sentinela no Amazonas, Sílvia Severiano, diz que o projeto existe em apenas nove dos 62 municípios do estado. Segundo ela, o maior problema do Amazonas é a exploração comercial de crianças e adolescentes e o tráfico de jovens.
Para Sílvia, as dimensões continentais do estado e a falta de verbas dificultam a melhoria do trabalho. “No município onde aconteceu o caso de exploração sexual em barcos, Barcelos, existem 700 ilhas, onde fazer um monitoramento e um trabalho de controle é praticamente inviável. As nossas estradas são água. Nós temos todo um diferencial dessa região que precisa ser levadp em conta pelo governo federal nesse sentido de inclusive disponibilizar mais verbas para que nós possamos realmente efetivar um trabalho de controle e prevenção da exploração sexual e abuso”, afirma.
Pernambuco é outro estado com altos índices de exploração sexual infantil. Entretanto, de um total de 184 municípios, apenas 24 são beneficiados com verbas do programas. A coordenadora do Sentinela no estado, Kilma Luna, afirma que o pólo gesseiro do estado, as rotas de caminhoneiros e o polígono de plantação de maconha são os locais onde a exploração, o comércio e o abuso de crianças e adolescentes é maior.
A assistente social Roseli Araújo, que trabalha no Sentinela em Pernambuco, afirma que algumas meninas escrevem na testa R$1,99, o que seria o preço de um programa sexual. Para ela, uma mudança necessária no programa seria a inclusão do agressor no atendimento. “O que a gente tem observado é que as práticas são muito mais voltadas para as vítimas, e quase nada para o agressor. É importante o Ministério Público se fazer mais presente nessas situações”.
O coordenador-geral do Projeto Sentinela, Joseleno Santos, concorda com as críticas dos coordenadores. “Entendemos que é uma crítica legítima. Se fosse uma crítica do tipo o programa não está atendendo, não está resolvendo, o atendimento é péssimo, aí sim nos preocuparíamos muito mais. Mas o que eles apontam é a necessidade de ampliar a rede”.
Joseleno afirma que o Sentinela deveria atingir mais 500 cidades brasileiras. Segundo ele, seriam necessários pelo menos R$ 13 milhões para atender mais 150 municípios. “Também entendemos que o programa tem que avançar hoje no enfrentamento da violência, não apenas no atendimento, mas na prevenção, na responsabilização do agressor, articulado com a justiça”.
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