Uma manifestação de entidades estudantis e do movimento negro realizada nesta terça-feira (23/11), no centro de São Paulo, por cotas sociais nas universidades, acabou em cenas de agressões. Estudantes da Faculdade de Direito da USP no Largo de São Francisco, onde o ato foi encerrado, jogaram água, pedaços de papel higiênico molhado sobre cerca de cem manifestantes – quase todos estudantes do ensino médio.
Os manifestantes haviam se acorrentado simbolicamente às colunas das arcadas do pátio da faculdade quando foram agredidos. Não houve confronto direto.
A manifestação foi a primeira a deflagrar a semana de ocupações das universidades públicas, organizada pela Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), UNE (União Nacional dos Estudantes) e as entidades do movimento negro Unegro e Educafro.
Durante esta semana, uma série atos será realizada em universidades públicas pelo país. Na quarta-feira (24/11) as entidades planejam um ato em frente ao gabinete do presidente da câmara federal de deputados.
O presidente da UNE, Gustavo Petta, acredita que o ataque sofrido pelos manifestantes “é o retrato de que alguns setores ainda não aprenderam conviver com a democracia. É uma reação de setores conservadores, que não querem a democratização da universidade. Mas mais do que isso é uma reação violenta, de conservadores que não aceitam o debate”.
A principal reivindicação das entidades é a aprovação do projeto de lei 3.627/04, que garante reservas de 50% das vagas nas universidades públicas federais, por curso e por turno, para estudantes que fizeram o ensino médio em escolas públicas, contemplando as cotas raciais de cada região amparando-se em dados do IBGE. Também querem que em quatro anos seja duplicado o número de vagas nas universidades públicas e que seja criado um plano nacional de assistência estudantil.
Marcelo Gavião, presidente da Ubes, afirama que, desde de 1995, a entidade defende as cotas, mas que nessa gestão esse é o tema central. “Os argumentos contra as cotas foram caindo um a um. Hoje não dá mais para justificar a defesa contra as cotas por conta da queda de qualidade ou pelo mérito. Grande parte da sociedade já é a favor das cotas”, avaliou Gavião.
Com Agência Brasil
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