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Um guarda-chuva social

fev 10, 2005 | Geral

 

Foram 155 mil participantes, representantes de 135 países, quase 7 mil jornalistas credenciados e 2,5 mil atividades realizadas na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre (RS). A quinta edição da Fórum Social Mundial (FSM) terminou no dia 31 de janeiro, mas ainda repercute no país. O que pouca gente sabe é que – como um grande guarda-chuva social – o evento abrigou diversos fóruns paralelos. Foram pelo menos sete eventos que trataram de temas específicos, como o fenômeno migratório, os impactos da globalização na Amazônia, os sistemas públicos de saúde e o papel do Poder Judiciário.

Um dos “filhotes” do FSM foi o Fórum Social das Migrações. Um dos temas mais explorados durante os debates, realizados em Porto Alegre entre os dias 23 e 24 de janeiro, foi a discriminação contra as pessoas que deixam seus países de origem para trabalhar em outras nações. Há atualmente mais de 175 milhões de migrantes no planeta, contra os 90 milhões que havia em 1990.

Só os imigrantes das Américas que trabalham nos Estados Unidos remeteram, em 2003, mais de 30 bilhões de dólares para os países de origem. Isso tem agravado a discriminação contra os trabalhadores e estimulado países ricos a aprovar legislações cada vez mais restritivas. Durante o Fórum Social das Migrações, os participantes defenderam o fim do preconceito e da perseguição contra os trabalhadores estrangeiros.

O guarda-chuva do FSM também abrigou o Fórum de Autoridades Locais pela Inclusão Social. O evento reuniu prefeitos e representantes de cidades de diversos países para debater as dificuldades da gestão pública municipal em um cenário de desigualdades e exclusão social.

Em sintonia com o lema do FSM, “Um Outro Mundo é Possível”, o Fórum de Autoridades Locais defendeu uma nova globalização: mais humana e solidária. Os participantes lançaram um desafio a governantes do mundo inteiro: que assumam a execução de políticas públicas inclusivas que democratizem a riqueza e o poder.

Porto Alegre também foi palco do Fórum Social Mundial da Saúde, entre os dias 23 e 25 de janeiro. Durante o encontro, discutiu-se a necessidade de que o desenvolvimento econômico e social seja acompanhado de direitos fundamentais como seguridade social, condições sanitárias básicas e assistência médica.

Os participantes do evento definiram pontos de ação que devem nortear as lutas pela saúde no mundo. Dentre eles estão: a luta pela saúde como um direito humano; a criação de um sistema de saúde integral, que inclua a seguridade social e a assistência; e a defesa do tripé universalidade, integralidade e equidade.

Justiça, Parlamento e Amazônia – O Fórum Mundial de Juízes foi outro a desembarcar na capital gaúcha, entre os dias 23 e 25 de janeiro. Os magistrados que participaram do evento defenderam a democratização e a independência dos sistemas judiciais de todos os povos. Eles também cobraram a “internacionalização das jurisdições”. A medida seria uma ferramenta de integração das normas internacionais, especialmente as de proteção dos direitos humanos.

Parlamentares de diversos países também marcaram presença no FSM. Eles realizaram o Fórum Parlamentar Mundial, que definiu estratégias para garantir a participação efetiva do Legislativo nas decisões internacionais.

Uma das deliberações foi a ampliação das relações com os movimentos sociais. Os parlamentares decidiram intensificar a presença da Rede Parlamentar Mundial em regiões como África, América do Norte, Europa Oriental e Oriente Médio.

Longe de Porto Alegre, o Fórum Social Pan-Amazônico também foi incluído na programação paralela do FSM. Realizado entre os dias 18 e 22 de janeiro, em Manaus (AM), os povos da Amazônia definiram a criação das chamadas redes de solidariedade, para garantir o fortalecimento dos movimentos sociais. Durante as discussões, os participantes reafirmaram o compromisso com a soberania, a autonomia, a diversidade, a paz, o respeito aos direitos humanos e a utilização de todos os recursos necessários para se por fim à violência contra as comunidades amazônicas.

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