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Encontro entre Hugo Chávez e Evo Morales encerra contracúpula dos movimentos em Viena

maio 11, 2006 | Geral

Um diálogo dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolivia, com cerca de 2 mil representantes de movimentos sociais europeus, latino-americanos e caribenhos deve encerrar no sábado (13) o evento alternativo a 4ª Cúpula União Européia – America Latina e Caribe. O encontro paralelo à reunião dos chefes de Estado e governo é organizado a partir de hoje (9) na capital austríaca por cerca de 200 entidades da sociedade civil das três regiões.

Segundo um dos integrantes da organização do evento, o ativista Robert Gerstbach, da entidade alemã DKA, a escolha dos presidentes convidados para o evento paralelo foi feita pelo conjunto das entidades participantes da “contracúpula”. Ele diz que, se dependesse exclusivamente dos movimentos europeus, a chilena Michelle Bachelet, por exemplo, seria convidada pelo caráter simbólico de sua conquista para as mulheres. “Principalmente os latino-americanos opinaram que os outros presidentes não estão tão próximos dos movimentos sociais hoje”, explica.

A diversidade na visão, mantida pelas diferentes organizações sociais acerca dos governos, aparece no diálogo com o peruano Jose Asparre, da Associação França-América Latina, com sede em Paris. Para ele, por exemplo, Chávez e Morales expressam, na verdade, opções políticas bastante distintas. “Chávez é um ex-militar de esquerda. Eles são assim, um pouco brutos”, diz. “Morales é mais diplomático, segue mais a politica de Lula.”

Apesar de perceber as nuances entre os presidentes, Asparre diz que, em geral, o balanço e positivo. “Na área social, Chávez está trazendo avanços, pelo que sabemos. Morales, de uma maneira democrática, está recuperando os recursos naturais de seu país. E Lula faz as coisas de maneira mais diplomática, talvez mais democrática, com mais participação. No Brasil, o processo e mais lento.”

O caráter democrático das mudanças no continente, segundo Asparre, é o diferencial. “O importante é que não há ditaduras. Mesmo Chavez: ele é bocudo, mas respeita a imprensa”, afirma. “A grande mudança é que os ganhos estão sendo distribuídos com os setores mais desfavorecidos. Isso e que faz diferença.”

A cúpula alternativa é organizada por entidades que participam da construção dos fóruns sociais, o chamado movimento “altermundista” (em alusão ao lema do fórum, “um outro mundo é possível”).

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